terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O GUARDIÃO DA HISTÓRIA - Márcia Machado











O GUARDIÃO DA HISTÓRIA

Este imponente prédio marcado pelo tempo ainda teima em se manter de pé, apesar de todas as dificuldades que tem enfrentado, ao longo de mais de um século tem muitas histórias para contar. Situado em magnífico local, na parte mais alta da idade de Mata Grande, construído pelos escravos, com pedra e cal serviu de prisão quando foi necessário. Suas paredes de um metro de espessura e a frieza de suas celas, aumentada pelos sacos de sal colocados sob o piso, como afirmam os mais antigos, certamente contribuíram para que os presos se arrependessem amargamente de seus erros.

Mas sua eficiência não se limitou ao papel inicial, foi mais além, nos salões do seu andar superior prestou também relevante serviço a população acomodando a Câmara Municipal e o Tribunal do Júri. Comprovando ainda mais sua versatilidade trouxe alegria e cultura emprestando seus salões para comemorações cívicas, bailes e conferências. Foi ainda garbosa sede de uma importante sociedade dramática daquela época, viu-se transformado em grandioso palco aonde certamente os matagrandenses tiveram o privilégio de assistir aos famosos espetáculos teatrais que faziam sucesso naqueles tempos idos.

A povoação de Mata Grande já podia ser reconhecida como uma Vila ou Freguesia, mas, para que tal fato acontecesse seria necessária a construção de uma Câmara Municipal e de uma Cadeia Pública. Atendendo a tal exigência é construído esse grandioso prédio que quer seja, pela sua função,  quer seja, pelo seu aspecto arquitetônico representa um papel importante na história de Mata Grande.

Visto como um palacete, como bem registrou o escrevente que acompanhou D. Pedro II, na sua célebre viagem a Piranhas quando de sua passagem por Mata Grande, (sic) “... sobresáe  hoje irresistivelmente a atenção na parte superior da Villa e na praça da Matriz o bello edifício da Cadêa e Casa da Câmara recentemente construído em forma de palacete elegante.”

Sobre o mesmo afirma a SECULT (sic) “Do ponto de vista arquitetônico, o edifício secular é relevante na feição urbana da cidade, pois de impõe pela sua  monumentalidade e expressividade construtiva, com largas paredes de pedra e cal e portada imponente, ricamente decorada com elementos em massa.”


Após décadas de descaso e abandono a luta contra as intempéries começa a mostrar-se desigual, a ventania vem e arranca-lhe toda a proteção  do telhado.  Umidade infiltra-se em suas entranhas comprometendo o precário equilíbrio. Descoberta e sem segurança, a parte superior do piso e algumas paredes internas desmoronam. É a lenta agonia de um gigante que embora abandonado tenta a todo custo manter-se de pé. A cada pedaço que cai sente a dor da batalha que já está quase perdida e se pergunta, até quando? Enquanto acompanho a sua lenta e inexorável derrocada, perplexa com a indiferença dos que podem faze r alguma coisa me pergunto: Será a destruição total a forma correta de agradecer a este guardião de nossa história?
Márcia Maria Machado Nunes.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

CADEIA PÚBLICA DE MATA GRANDE - Germano

FOTOS DA CADEIA PÚBLICA DE MATA GRANDE






A antiga cadeia pública de Mata Grande, está em total abandono. Foi construída no tempo do Império e com recursos enviados pelo Rei. Na parte superior, era utilizada para as grandes festividades da sociedade matagrandense, local onde também, ficavam os presos de nível hierárquico superior.    O Estado de Alagoas a utilizou durante várias décadas e depois a entregou ao completo abandono. A Prefeitura Municipal, por não ser dona do Patrimônio, também nunca   fez nenhuma manutenção. Nos últimos anos, a deterioração chegou a tal ponto que particulares passaram a utiliza-la como depósitos de materiais diversos.

A conterrânea Márcia Machado Nunes, professora aposentada, tomou a iniciativa de tentar a restauração do prédio, com isso, conseguiu saber, que não havia dono e com muito trabalho o Governo Estadual assinou um Decreto,  tombando como Patrimônio Histórico, mesmo assim ainda continua abandonado.

No dia 04.10.2013 Márcia convocou alguns matagrandenses residentes em Maceió para uma reunião com a finalidade de traçar planos de ação visando a recuperação do Prédio, outros se reuniram no  domingo em Mata Grande. Vamos aguardar os resultados das ações traçadas que visam a recuperação do prédio, que provavelmente será destinado a um centro cultural.

21.11.2013 - A partir de hoje, vamos acrescentar  fatos e notícias neste local, especificamente para detalharmos passos, fotos, ações, escritos, reuniões e fatos históricos mesmo àqueles que remontam  dos séculos, atinentes a CADEIA PÚBLICA DE MATA GRANDE, por exemplo, hoje, fiz breves comentários, veja abaixo:

BREVE HISTÓRICO DA CADEIA PÚBLICA DE MATA GRANDE:

1837 – Foi idealizada a sua construção para atender “a uma condição provincial para que o lugar fosse elevado a categoria de Vila e Freguesia e quem deveria construir seriam os seus habitantes”

1875 –  Foi iniciada a construção pelos escravos, com pedra e cal, com paredes de um metro de largura, com primeiro andar, com assoalho e escadaria totalmente com madeira de lei. Foi gasto 18.700$000 (Dezoito mil e setecentos mil reis) enviado pelo imperador D. Pedro II.
O prédio foi entregue a sociedade onde na parte superior, funcionava a Câmara Municipal e o Tribunal do Júri, local onde também, eram realizados os  grandes bailes sociais , no térreo, as celas, onde ficavam os presos. Vale frisar que existia  uma cela específica para criminosos que cumpriam pena, outras para os cachaceiros e baderneiros e ainda uma solitária, toda escura e sem acesso a luz solar.

O Estado de Alagoas usou o prédio durante as décadas do século passado como cadeia pública, delegacia de polícia e depois o entregou ao mais completo abandono.

2007 – Foi iniciado o movimento de restauração pela professora Márcia Machado, que passou a solicitar o apoio dos vereadores e de membros da sociedade matagrandense.

2009 -   No dia primeiro de outubro, através do Decreto Nº 4.188, o prédio foi tombado e integrado ao Patrimônio Histórico, Artístico e Natural do Estado de Alagoas, pois descobriu-se que, não tinha dono e tampouco qualquer registro em cartório. (Vide abaixo)

2011 – Foi encaminhado as autoridades municipais, estaduais e federais, requerimento com mais de mil e duzentas assinaturas de matagrandenses pedindo a restauração do prédio.

2012 – Por volta das 21:30 horas do dia 11.05.2012 houve um grande estrondo e todo o teto caiu, restando agora, somente as paredes externas.

2012 - Através do Ofício nº 393/2012-GS, de 14.08.2012 o Secretário de Estado da Cultura Osvaldo Viégas informa que” a SECULT não dispõe de recursos para realizar os serviços necessários à sua recuperação física nem, tão pouco, corpo técnico adequado para elaborar projeto de restauração e implantação museológica, como é o desejo da comunidade local”.

2013 – Foi realizada uma reunião na casa de Márcia e outra na casa de Germano com o objetivo de traçar metas para reiniciar as reivindicações. Ficando acertado que Márcia e demais iriam falar com o Deputado Paulão  e Germano conseguir uma audiência com o Governador, para entregar a documentação com os dados e o requerimento com mais de mil e duzentas assinaturas de matagrandenses.

No dia 21.11.2013  - O Governador esteve em Mata Grande e Germano entregou pessoalmente ao Governador Teotônio Vilela uma pasta contendo todo o histórico do prédio acima descrito. Raul Malta também entregou outro exemplar.

No dia 26.11.2013 -  Germano esteve no Palácio e recebeu a documentação de volta   para  encaminhar com requerimento assinado pela comissão.

No dia 13.12.2013 – Germano compareceu ao Palácio e entregou a documentação exigida, todavia, o protocolo somente foi dado entrada no dia 20.12.2013 e, pasmem, em nome de Edilane Barbosa de Oliveira , porque o protocolo é dado com o CPF e a  grande maioria anotou o RG ou título eleitoral.

2015 – A cadeia pública foi fotografada e muitas medições foram efetuadas pelos engenheiros do IPHAN. Começamos então a acreditar que alguma coisa tenderia a  mudar.

2017 - No dia 16.01.2017 – Recebemos a visita da prima Márcia, estava em casa o meu filho Marcus Vinicius que se comprometeu a falar com o Deputado Federal Nivaldo Albuquerque, visando acelerar a tramitação da documentação a nível federal. Foi entregue a documentação para análise e providências por parte do Deputado Federal.

No dia 20.01.2017 – Coincidência ou não, houve uma nova reunião na casa de Márcia e Manuca desta feita com as arquitetas do IPHAN  Thalliane e  Daniela,  Germano e Icléa, Severino e Mocinha, para atualização dos históricos, fama, finalidades sociais e atuais.


DECRETO QUE TOMBOU A CADEIA PÚBLICA DE MATA GRANDE COMO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DO ESTADO:

ESTADO DE ALAGOAS
GABINETE DO GOVERNADOR
DECRETO Nº 4.188, DE 01 DE OUTUBRO DE 2009.
HOMOLOGA A RESOLUÇÃO Nº 03, DE 04
DE ABRIL DE 2009, DO CONSELHO
ESTADUAL DE CULTURA, QUE CUIDA
DA PROPOSTA DE TOMBAMENTO DO
PRÉDIO CENTENÁRIO DA CADEIA
PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE MATA
GRANDE.
O GOVERNADOR DO ESTADO DE ALAGOAS, no uso da atribuição que lhe
confere o inciso IV do art. 107 da Constituição Estadual, c/c p disposto na Lei nº 4.741, de 17
de dezembro de 1985, e tendo em vista a Resolução nº 03, de 04 de abril de 2009, do Conselho
Estadual de Cultura, e o que consta do Processo Administrativo nº 2600-1118/2007,
DECRETA:
Art. 1° Fica tombado e integrado ao Patrimônio Histórico, Artístico e Natural do
Estado de Alagoas, de que trata a Lei nº 4.741, de 17 de dezembro de 1985, Prédio Centenário
da Antiga Cadeia Pública do município de Mata Grande, localizado na Rua Coronel José Malta
de Sá, s/n. Centro, Mata Grande, Alagoas.
Art. 2° O acervo tombado por força deste Decreto será expressamente destinado a
atividades que não prejudiquem, nem destruam a integridade cultural ali contida, observando-se
o disposto na Resolução nº 03, de 04 de abril de 2009, do Conselho Estadual de Cultura.
Art. 3° O Conselho Estadual de Cultura promoverá a inscrição e o competente registro
do bem tombado, por força deste Decreto, no Livro de Tombo de Edifícios e Monumentos
Isolados, nos termos do art. 15, inciso II, da Lei nº 4.741, de 17 de dezembro de 1985.
Art. 4° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 5º Ficam revogadas as disposições em contrário
PALÁCIO REPÚBLICA DOS PALMARES, em Maceió, 1º de outubro de 2009,
193º da Emancipação Política e 121º da República.
PALÁCIO REPÚBLICA DOS PALMARES
Rua Cincinato Pinto s/n – Centro – Maceió/AL – CEP 57020-050
Tel: 0** 82 3315-2000 – FAX : 0** 82 3315-2010







quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

FOMENTO AGRÍCOLA - Germano











FOMENTO AGRÍCOLA




O fomento agrícola de Mata Grande, outro imponente prédio que retrata as tradições da cidade, também está em completo abandono a exemplo do prédio da Cadeia Pública. Como tal, não sabíamos si quer quem era ou é o seu verdadeiro dono, se o Estado ou a Nação?


Antigamente, lá funcionou uma das mais modernas usinas de beneficiamento de algodão de que tinham notícias. O prédio construído com paredes largas, feitas para durar e realmente, tem resistido às intempéries do tempo.  Na entrada, havia um grande depósito, onde o algodão era jogado “in natura”, dali era sugado através de grossos canos e processado, saindo no final, o caroço de algodão de um lado, a lã devidamente empacotada de outro e os resíduos em outra parte.


Posteriormente, foram transportando e destruindo o maquinário e o prédio passou a ser ocupado por uma Cooperativa que revendia implementos agrícolas. Funcionou também, por um período, um Posto de Saúde Estadual e assim, paulatinamente, pessoas foram tomando conta de partes do prédio, para vender cal, guardar materiais particulares, comercializar produtos, oficinas de carros etc., sem, entretanto, ninguém efetuar quaisquer tipos de manutenção.


O Sindicato dos Produtores Rurais de Mata Grande, do qual era Vice-Presidente, e por motivos políticos tive que renunciar, descobriu que o mesmo pertence ao Ministério da Agricultura e, esteve a um passo de receber a doação e passar a administra-lo.


Um dos planos da Diretoria do Sindicato era transforma-lo na Casa do Produtor Rural, para armazenamento e comercialização de produtos agrícolas e locais de revenda de implementos destinados a agricultura. Mas a adversidade foi contrária, mudaram o Delegado do Ministério da Agricultura que estava ajudando.


Ultimamente, a Prefeitura Municipal reorganizou uma parte para abrigar o SAMU, dando uma conotação parcialmente diferente no prédio.

Resta-nos continuar na esperança de que, surja, no porvir, alguém que passe a se interessar pela pronta recuperação do prédio, destinando-o ao funcionamento de uma faculdade, biblioteca, museu ou mesmo com uma outra finalidade, que seja aplicada a melhor ideia ou sugestão.

Caríssimo leitor use este espaço, jogue para fora os seus  ideais adormecidos. Quando menos se espera, poderá surgir uma  brilhante sugestão que venha dar  ao prédio uma  destinação utilitária para a comunidade matagrandense.


CONTERRÂNEA HISTÓRICA - Germano




CONTERRÂNEA HISTÓRICA – Dona Luizinha










Luiza Villar de Mendonça, este é o nome de registro da minha mãe que nasceu no dia 10.10.10 e faleceu no dia 21.04.2000. Mamãe nasceu no  Sítio  Buenos Aires, exatamente a 107 anos, onde conviveu a sua mocidade e devido a queima  do Vapor de Algodão  do seu tio José Florentino Villar, vulgarmente conhecido como Zeca Beiêr (veja matéria no dia19/05/2011 com o título AS IGREJAS DE MATA GRANDE  Igreja do Sítio  Buenos Ayres)  teve que ir morar na cidade. Ainda muito jovem, moça muito bonita  com feições   brejeiras, logo despertou o interesse e casou com o meu pai Balbino Alves Bezerra e juntos tiveram treze filhos dos quais somente  sete permanecem vivos;  pela ordem de nascimento: Faustino, Guilherme, Hildebrando, Germano, Helena, Valderez e  Valdeci.


 Após 22 anos de plena felicidade  houve a separação de fato do casal e mamãe  passou a ser a nossa única orientadora. À custa de muitos sacrifícios e ajuda dos seus irmãos, e também do meu pai, conseguiu   educar  a todos.


Não possuía si quer o primário, todavia, tinha uma experiência  de vida, invejável a qualquer  cidadão. Dava-nos aulas, ensinamentos de bom viver, educação de bom  comportamento tanto em casa como na escola e também para a boa convivência com a sociedade matagrandense . Estes ensinamentos   ainda hoje servem para  a nossa cidadania, os quais procuramos  transmitir aos nossos descendentes.


 À guisa de informação, vou relatar um caso:


Guilherme desde 1954 foi estudar  em  Satuba, depois em Barbacena-MG., e de lá foi para São Paulo, somente reaparecendo em 1967 quando casei.


Rapaz fidalgo, educado, já com os  costumes paulistanos,  conversando com Mamãe acendeu um cigarro. Prontamente, ela parou de conversar.


Percebendo, ele  perguntou:


- É por causa do  cigarro? -  Ela  então  respondeu:


“Se Deus  tivesse criado o homem para fumar, tinha  feito  ele  com uma chaminé na cabeça”


O meu irmão jogou o cigarro fora e nunca mais acendeu um cigarro na vista dela.


Esta e outras histórias nos serviam de lição e aprendizado de vida e assim todos começaram a vida profissional, trabalhando  com esmero e dedicação o que a deixava bastante orgulhosa em ter conseguido um dos seus principais objetivos, dar também educação escolar.


Não costumava tomar remédios e tampouco refrigerantes, tinha uma saúde invejável. Todas as manhãs tomava um banho com água  fria, não se importava se fosse na época invernosa, quando os termômetros em Mata Grande  costumam beirar os doze graus.


Ao completar 80 anos  confessou:  - Meu  filho, a ladeira dos oitenta é muito pesada e justamente antes de completar os noventa faleceu, deixando uma  enorme lacuna.


Mamãe costumava dizer que nunca encontrou um  vizinho  ruim e para comprovar leia o que escreveu o poeta Walter  Medeiros, quando soube de sua partida para junto de Deus.


DONA LUIZINHA                    (Walter Medeiros)




Se eu voltar a Mata Grande,


Não verei Dona Luizinha;


Disseram que ela morreu.


Dona Luizinha, a vizinha.


Mais amiga e amável


Que esta vida nos deu.




Eu ainda a vi, velhinha,


Lembrando os belos tempos


Em que eu era vizinho seu. 


Não por mim, por minha mãe,


A sua grande amiga,


Que também está com Deus.




Ela lembrava dos dias


Que a cidade começou


E que à noite era um breu.


Em meio às pedras da serra


Onde a cidade se encerra


Onde achou água e bebeu.




Depois, um dia, fazia,


Aquele pão com manteiga


Que a gente nunca esqueceu. 


Se eu voltar a Mata Grande,


Não verei Dona Luizinha,


Nem pra lhe dizer adeus.
























           

SAUDADE CONSTANTE - Germano




SAUDADE CONSTANTE

NASCI EM MATA GRANDE
NO ANO QUARENTA E SEIS
LOGO NA ADOLESCÊNCIA
NO BNB INGRESSEI
PORÉM COM VINTE E UM ANOS
COM ICLÉA ME CASEI.


POR MOTIVOS DE TRABALHO
DA CIDADE ME AUSENTEI
FUI MORAR EM OUTRAS PLAGAS
ONDE OS FILHOS EU CRIEI
PUDE EDUCAR A TODOS
DEPOIS ME APOSENTEI


NÃO RESTA A MENOR DÚVIDA
QUE NÃO ESQUEÇO UM INSTANTE
MESMO VIVENDO AFASTADO
VOLTO NA FESTA ATUANTE
FAZENDO SEMPRE AUMENTAR
UMA SAUDADE CONSTANTE


NÃO TENHO O DOM DOS POETAS
TAMPOUCO SEI RECITAR
VIAJANDO DE AVIÃO
LOGO ME PUS A PENSAR
EM FAZER ESTES MEUS VERSOS
E TAMBÉM PARTICIPAR.


Autor: Germano Mendonça Alves, em um momento de rara inspiração acima das nuvens.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A SECA EM MATA GRANDE - Germano



A minha mãe , Luíza Vilar de Mendonça, sempre falava nas grandes secas que abalavam o município de Mata Grande. Lembrava, vez por outra,  da seca de  1918, depois a grande seca de 1932,nessa, muitos cearenses transitaram por aqui, outra grande seca foi a  de 1950, o então governador Arnon de Mello distribuiu muita coisa com os andarilhos, depois somente em 1970 houve outra grande seca.  Nota-se que os espaços de anos eram longos, até poderia se esquecer que havia seca, nos anos sessenta que foram os mais favoráveis de chuvas os sertanejos até esqueceram de plantar muita palma. Lembro que,  houve um ano onde na cidade, durante o mês de maio, choveu o equivalente a 913 milímetros. Passamos dezesseis dias sem ter direito a ver o sol.


Fotos do inverno matagrandense:









Durante o período de secas muitas pessoas se mudavam para outras plagas, vendiam as propriedades e se aventuravam até em outros  Estados da federação. Logo após a seca de 1970 adquiri uma propriedade, vizinha a do meu pai, então, comecei a sofrer as agonias da seca como os demais sertanejos.

Tenho resistido tranquilamente as grandes secas, que nos últimos quarenta anos passaram a ser mais frequentes. Houve delas que perdi animais que, naturalmente, enfraqueciam devido o rareamento das pastagens, todavia, esta última foi a que mais afetou com a falta de água.  Após alguns anos tive que reabrir poços, tendo em vista que até o riacho do Almeida, deixou de correr água, um dos olhos d’água, que corria pela estrada afora deixou de minar,( o projeto de recuperação de fontes do governo não atende a todos, visto que, há uma tendência política para o fato) devido à falta de água houve naturalmente a carência do capim de corte para alimentação dos animais. Na região serrana a seca afetou grandemente, imagine na região catingueira?  Pois lá não existem riachos, fontes de água doce e a falta de chuvas impede o nascimento e crescimento das pastagens nativas. Resta aos agropecuaristas, a palma ressecada, o mandacaru, a algaroba e o endividamento com a compra de rações.

foto da  época seca



De uns tempos para cá, fala-se nos rigores do EL NINO , que a terra vem esquentando gradativamente , porém desde a seca de 1950 a coisa piorou, com o aumento dos períodos de secas, com as noites muito quentes,  com  o derretimento das geleiras nos polos, tudo isso, são mudanças  climáticas que afetam o planeta e Mata Grande faz parte dele. Os eventos que ouvimos noticiar constantemente como as secas, os furacões, as ondas de calor excessivo ou mesmo as geadas,( como agora está havendo no Canada), enchentes destruidoras como as do Sudeste  brasileiro. Tudo isto me leva a meditar: O que é melhor, a seca ou as enchentes? Durante as secas temos os carros pipas, no entanto, todos permanecem em  suas casas com os seus móveis e não precisam ficar em abrigos públicos ou casas de parentes. Os prejuízos são menos.



Os furacões e tempestades passaram por um aumento gradativo desde a grande seca de 1970. As geleiras desde o ano de 1980 estão derretendo com muita frequência, tudo isto devido ao calor. Não resta a menor dúvida de que o aquecimento global é uma realidade e passou a afetar as serras que compõem o oásis do sertão alagoano.