Hoje é o dia 02.05.2026, dia
que completo trinta anos das minhas
aposentadorias, tanto pelo INSS como também pelo plano da CAPEF, que é a Caixa do Banco do
Nordeste do Brasil, S/A.
Contar a trajetória de trinta
anos daria um livro, mas vou contar alguns lances que ocorreram logo ao ano de 1996,
pois no início tudo corria muito bem e eu teria meus proventos igual ao do
Gerente da Agência de Neópolis, local onde me aposentei.
No ano seguinte fui para
Brasília numa D-20 e visitei a cidade de
Goiânia visitar uma exposição agropecuária. Me empolguei e adquiri muitos bens,
passando cheques para 30/60/90 dias. Ao retornar no mês de março, fui ao BNB
para ver o saldo, fiquei estarrecido quando vi o saldo da conta. Imediatamente
conversei com um colega que me disse: Você não está sabendo: FHC cortou 50% das
aposentadorias desde janeiro.
Fui a Caixa Econômica e o
Gerente tinha cancelado o meu cheque especial e si quer me concedia um
empréstimo comercial. Fiquei desesperado. Ao chegar em casa contei a situação a
minha esposa que respondeu: “ Mortalha não tem bolso e caixão não tem gaveta.”
Tome este comprimido e vá descansar. Depois resolveremos isto. Dormi do meio
dia até o dia seguinte. Quando acordei ela informou que o filho Marcus Vinicius
pediu o número da conta da CEF e cobriu o débito de lá.
No BNB o débito era de sete
mil reais, vendi umas vacas e mandei baixar para três mil, depois para mil e
ainda hoje não tenho mais cheque especial de lá. Porém, ainda tinha que
liquidar um empréstimo de trinta e cinco mil que fiz para a propriedade rural. Quando fui
pagar a primeira prestação o saldo já
estava em cento e cinco mil. Inteiramente impossível pagar, pois a inflação
subiu e os preços das vacas despencaram.
Depois de aposentado foi a
primeira vez que fiquei odiando o BNB pelo sofrimento que me foi imposto.
Então, coloquei a CAPEF na
Justiça, obtive êxito e o que ganhava em 1997, só foi equiparado em 2007,
devido ao acordo que tive que aceitar perdendo quarenta por cento.
Pense em tempos difíceis,
somente superados por que fui residir na fazenda e aproveitar tudo que ela
produzia. Aqui vale um registro; os
filhos me ajudaram e a minha esposa passou a vender doces o que aumentou em muito a nossa renda.
Tempos depois, o Presidente do
BNB convocou uma reunião em Maceió com todos os aposentados. Ao término pedi a
palavra e descasquei o meu sofrimento. Em seguida pedi para que fosse ouvido
como pequeno produtor rural. Aí foi que disse as verdades sobre o empréstimo,
alegando que não havia homem que pudesse quitar.
Terminada a reunião, veio os
comes e bebes e lá para as tantas o Presidente mandou me chamar para saber se
eu tinha condições de colocar no papel tudo que havia dito no microfone, pois
nada tinha sido gravado e enviar para Fortaleza, pois ele ia ter uma audiência
com o Ministro da Fazenda. Disse que sim e no outro dia fui a Mata Grande e
junto ao primo Marcos Ribeiro, fizemos uma carta depoimento em nome da AMAGRAN,
nossa associação, o que resultou na Lei 10.696, prorrogando as prestações dos
empréstimos rurais para dez anos com dois de carência.
O empréstimo que já estava com
mais de cento e cinco mil, foi baixado para sessenta e quatro. Então, pagaria
em oito prestações e caso pagasse em dia o valor seria de três mil, mais os juros.
Devido a isto, consegui quitar e até hoje não fiz mais empréstimos rurais.
Foi o maior sofrimento que
passei depois das minhas aposentadorias, no entanto, superamos e hoje continuo
contando histórias, graças a Deus e. olhe que tenho muitas.