PSICOLOGIA
A psicologia diz que a
verdadeira razão pela qual ter mais de 60 anos é tão difícil não é o
envelhecimento em si, mas sim o fato de que a cultura moderna não tem uma
estrutura para a dignidade sem produtividade
Envelhecer significa perder
massa muscular, ficar mais frágil e ver o corpo não corresponder aos mesmos
estímulos da jovialidade. Mas existe outro ponto que pessoas com mais de 60
anos também sentem com o envelhecimento: a sensação de que sua presença já não
é mais notada e valorizada pelos outros ao seu redor.
Isso com mais frequência,
porque existe um fator por trás deste sentimento. Em muitas sociedades, o valor
de cada pessoa costuma ser ligado à sua produtividade e capacidade econômica.
Quando alguém sai desse modelo, seja por aposentadoria ou as limitações da
idade, ela perde seu lugar na hierarquia social, o que mexe com sua saúde
mental e autoestima.
O que mudou é que a
expectativa de vida aumentou, mas a cultura não construiu um modo de dar
sentido, status e dignidade às pessoas que envelhecem. Na prática, a pessoa
continua viva, ativa em muitos aspectos e com muitas experiências, mas passa a
ser tratada como alguém que está apenas "recebendo" do governo, e não
contribuindo.
Idosos são frequentemente
vítimas de etarismo.
Pesquisas sobre preconceito
etário mostram um padrão recorrente: idosos são frequentemente vistos como
dependentes, como custo social e, em alguns casos, como um peso para gerações
mais jovens. De acordo com a psicologia, essa visão é consequência direta de
uma cultura que mede o valor humano principalmente por desempenho e produção.
Erik Erikson, um dos
principais autores sobre desenvolvimento humano, descreveu o envelhecimento
como um período marcado pela tensão entre "integridade x desespero",
ou seja, a necessidade de olhar para a própria história e encontrar sentido no
que foi vivido. Só que, além disso, as pessoas precisam sentir que ainda têm
algum valor no mundo ao redor, mesmo que não sejam mais "produtivas".
A ideia de "curtir a
vida", "ficar com os netos" e "arrumar um hobby"
funciona para algumas pessoas, especialmente para quem saiu de um trabalho que
já não fazia bem, ou para quem viveu anos sob rotinas de estresse. Mas, para
muita gente, isso não fecha a conta, porque o que foi perdido foi sua
visibilidade e reconhecimento. E netos e hobbies podem trazer alegria e afeto,
mas não substituem a sensação de pertencimento social que vinha de sua
produtividade.
Algumas pesquisas sobre
propósito após a aposentadoria mostram que a aposentadoria pode aumentar
felicidade em certos casos, mas diminuir o seu propósito, porque o trabalho,
mesmo quando não é prazeroso, costuma oferecer uma ocupação. Isso ajuda a
entender por que algumas pessoas ficam mais leves após parar de trabalhar, mas
ao mesmo tempo se sentem vazias e sem nada para fazer.
Um estudo sobre etarismo
apontou que muitos idosos relatam se sentir sobrecarregados por expectativas de
fracasso e por suposições de incapacidade ligadas à sua idade. Eles querem
contribuir e tentam contribuir, mas encontram barreiras de que eles estariam
ultrapassados. Isso corrói a motivação e impacta saúde mental, porque a pessoa
começa a sentir que não "vale mais nada".
O que a psicologia diz sobre o
envelhecimento e produção?
Quando alguém com mais de 60
descreve sensação de invisibilidade, evite dizer que ela está exagerando. De
acordo com dados da Pesquisa Mundial de Valores, uma parcela relevante das
pessoas acredita que idosos não recebem o respeito e a valorização que merecem.
A psicologia que estuda
adaptação à aposentadoria destaca três fatores que indicam o bem-estar nessa
fase: identidade, interação social e independência.
Identidade no sentido de
manter ou construir papéis que façam a pessoa se sentir relevante, interação
social e não apenas atividades para preencher o dia, e independência não só
física, mas psicológica, mostrando que seu valor não está condicionado ao "render"
como antes.
Nos últimos anos,
pesquisadores de gerontologia crítica têm chamado atenção para um risco: até as
ideias que parecem positivas, como "envelhecimento ativo" e
"envelhecimento produtivo", podem reforçar o mesmo problema quando
colocam a terceira idade como "aceitável" apenas se ela continuar
parecida com a meia-idade, mantendo padrões de produtividade e performance.
NOTA DO BLOG:
Copiado da Internet.