sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

AS IGREJAS DE MATA GRANDE - Germano




A do Sítio São José-

Construída recentemente pela comunidade local e ajuda de alguns amigos. A sua construção deveu-se a um sonho de Benedito Henrique Souza,  avô dos atuais amigos Carlinhos e Ademir que me deram estas informações e foram os dois que ficaram a frente na construção, inclusive trabalhando como pedreiro e servente juntamente a outros habitantes da região como Zezinho Felix, Nivaldo e tantos outros amigos  que colaboraram  inclusive com dinheiro.

O local foi doado por Manoel Henrique, filho de Benedito que se sentiu honrado em concretizar o sonho do pai.

Toda a mão de obra foi colaboração dos amigos com diárias pagas ou mesmo de assistência.

Hoje: As missas são celebradas uma vez por mês onde se realizam batizados.

Todos os anos há a festa do Padroeiro São José, sendo que são três dias de festividades com novenas, leilões, sempre, com a participação de zabumbeiros.

Dona Glorinha, avó de Ademir foi quem doou a imagem do Santo Padroeiro.

Recentemente houve um leilão e doei um garrote para o término dos trabalhos da Igreja.




quinta-feira, 8 de novembro de 2018

AS ÁRVORES - Germano


AS ÁRVORES – Germano

O dia 21 de setembro é dedicado a árvore, normalmente, as escolas incentivam os alunos, plantando árvores e ensinando para a sua conservação. Não obstante ser de fundamental importância para a própria sobrevivência, como também para a dos animais e, primordialmente, para os seres humanos, esses, são os grandes responsáveis pela sua dizimação, uma vez que, a cada 10 (dez) segundos mil árvores são derrubadas em todo o planeta. Aonde chegaremos no futuro só o Criador sabe, pois, alguns países buscam constantemente pela sua reposição.

Os seres humanos, realmente, vêm se preocupando com isso e se assim não fizessem abreviaria em muito a desertificação da terra, coisa que já acontece em muitas partes. Aqui no Brasil temos como exemplo partes do nordeste onde já se verifica muitas regiões parcialmente desertificadas.

As árvores dão frutos comestíveis para alimento dos insetos, peixes, animais das mais variadas espécies e também para o humanos, enfim, são “nossas irmãs com raízes” segundo disse o Papa Francisco.

Além do mais, as árvores são responsáveis por grande parte da oxigenação da terra, não é à toa que dizem que a Amazônia é  o pulmão da terra.

Algumas trovas colhidas:



A natureza protesta

Sempre que alguém a maltrata.

-Se matas uma floresta,

Vem o deserto e te mata! (A.A.de Assis )



O orvalho, do céu liberto,

De uma flor se fez amante

E em regaço entreaberto

Pôs um límpido brilhante. (Amarylis Scholeenbach).

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

VALHA-ME, PROFESSOR! - Walter Medeiros


Valha-me, Professor!

--- Walter Medeiros – waltermedeiros@supercabo.com.br

A perfeição da Natureza vai fazendo a vida fluir de tal forma que nos tira certas coisas e pessoas, para depois percebermos o valor de cada uma delas, exercitando sentimentos os mais diversos, preferencialmente bons sentimentos. Os maus sentimentos, é preferível evitar, esquecer, deixar de lado, nem que seja para comprovar o que os pesquisadores estão descobrindo com tanto trabalho, ou seja, que sentimentos ruins geram ou acentuam enfermidades no corpo. Então, melhor fazer por onde ser cada vez mais saudável.

Nessa perfeição da natureza vêm algumas situações que poderíamos ver e sentir como perdas, mas que findam sendo transformadas em saudade, boas lembranças, afetos raros e inesquecíveis, levados pelo tempo, e que vez por outra afloram na memória e no bater mais acelerado do coração. Um grande exemplo é a saudade da professorinha, da professorona, de todos os mestres que nos ajudaram a viver, seja qual tenha sido a vida que escolhemos viver, sejam quais tenham sido os caminhos que optamos por trilhar.

No Dia do Professor, chega-me uma tempestade de recordações desse tipo. A lembrança da minha primeira professora, Dona Josefina Canuto, no Grupo Escolar Professor Demócrito Gracindo, em Mata Grande – AL. Mulher dedicada e entusiasmada, que até hoje tenho a felicidade de reencontrar, mesmo que para isto demore muitos anos. Lembro da sua figura magra, saia azul, blusa branca de mangas compridas, rosto belo, um anjo entre as crianças. Por muitos anos tive diante de mim o colorido de alguns livros que ganhei porque dei algumas respostas sobre as coisas do aprendizado. Como lembro de Dona Helena, que muito me ajudou a aprender Matemática, pelo menos naquela ocasião, pois tem coisas dessa matéria que até hoje não aprendi.

Depois fui estudar na Escola Rural Professor Manoel Dantas, na Av. Prudente de Morais, vizinho ao Senai. Que belas lembranças da professora Dione, ensinando a desenhar e a usar técnicas fascinantes com naquim, onde colocava meus barcos e as ondas dos meus mares. Ano seguinte, lá estava eu no Grupo Áurea Barros, onde hoje funciona o Sindicado dos Professores. Ali já tive meu primeiro contato com a caneta esferográfica, cujo perfume era extasiante e onde já tive certa vez de levar aquele famoso recado de que no dia seguinte só entraria acompanhado da mãe. Ano seguinte, o Grupo Escolar Professor Calazans Pinheiro, da saudosa professora Dirce.

Tive a sorte de alcançar um livro que tinha tudo que precisávamos para fazer o Exame de Admissão ao Ginásio. Fui manter profundo contato com ele no Externato Saturnino, em 1966. Fui aluno da professora Maria das Neves, de Dona Ione Paiva e do saudoso professor José Saturnino de Paiva. Além de tudo que aprendi ali, nos livros e fora deles, com a disciplina bem imposta, o estímulo à leitura, ao ver nosso professor carregando e lendo revistas e jornais. Jamais esquecerei o momento em que ele estava no alpendre e, quando eu ia passando, do alto da sua idade e sabedoria, me disse - como se eu fosse um interlocutor à altura dos acontecimentos: “A guerra pode acabar hoje”. Referia-se aos conflitos do Oriente Médio. Nessa pequena frase de cinco palavras, ele na verdade me deu uma grande aula, pois dali corri atento para saber a que se referia, esperando ter condições de dialogar com o mestre.

No ano seguinte, lá estava eu inaugurando a Escola Industrial Federal do Rio Grande do Norte, na Av. Salgado Filho, depois de ter sido aprovado na prova de ingresso realizada na antiga Escola Industrial de Natal, da Av. Rio Branco. Ah! Quantos mestres encontrei ali: Mirian Coeli, Eulício Farias de Lacerda, Expedita Medeiros, Anaíde Dantas, Vilma Leiros, Názaro, Nivaldo, Natanael, Fátima, Severino, Inalda, Mitsi, Renè e Perigoso. Até os inspetores eram educadores e respeitados, como os professores Laércio, Adilson e Aércio.

A trajetória continuaria no Instituto Padre Miguelinho, onde cursei o Científico de Engenharia, aprendendo com os professores Agamenon, Damião Pita e Maria Tereza, entre outros; e na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde cursei Direito. Foram tantos professores, tantas lições, tantos gestos, que dão a dimensão do magistério. Uma legião de sonhadores que nos ajudam a compreender o mundo e nos levam também a sonhar. Como o professor Edgar Barbosa, a mostrar a força que podíamos ter mesmo nas situações mais adversas; e Varella Barca, que além de ensinar tomava a frente e lutava junto por melhores dias para o Brasil.

Neste 15 de Outubro homenageio a todos os Professores, a quem cabe responsabilidade tão grande na humanidade. Em meio a tudo isso, como que atraído pelo quadro negro, pelo giz, pelas aulas que mais me interessavam, lembro que construí um mundo em meio ao que o compositor/poeta sonhava, com festa trabalho e pão. Findei casando com uma professora – Graça, cuja trajetória construiu o mundo melhor de muitas crianças, hoje com mais idade. E esse mundo fascinante da Pedagogia continuará me rondando, pois agora a nossa filha Mônica é professora também. Mas a festa deste dia é de todos: professores e alunos. Feliz dia do Professor!

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Na foto, a professora Josefina e eu.


domingo, 14 de outubro de 2018

ESTÁDIO REI PELÉ - Germano


Crédito de Lauthenay.



ESTÁDIO REI PELÉ – Germano

Assisti e participei da construção do estádio  me deslocando de Mata Grande  para marcar as cartelas dos bingos. Sentávamos nos toros  dos coqueiros ou mesmo no chão e tudo era  muito divertido.

Assisti e participei de vários clássicos do  meu glorioso CSA com o CRB aos domingos à tarde ou mesmo à noite e muitas vezes com outros times. Assisti também a jogos da nossa seleção, todavia, a última vez que tinha marcado presença foi em 1988 quando colocaram cadeiras de ferro. Após o jogo um torcedor revoltado arrancou uma cadeira e jogou lá de cima da arquibancada, graças a Deus não atingiu ninguém, porém, como estava com o meu filho Germaninho, pensei, que poderia estar passando naquele local e sermos atingidos, daí, nunca mais fui ao Estádio.

No dia 09.06.2018, após trinta anos o meu filho Germaninho, já adulto, me convida a ir com ele assistir ao clássico   CSAxCRB, não pestanejei, aceitei o convite e fomos. O jogo terminou sem que houvesse gols, porém, muitas coisas mudaram e me chamaram a atenção. 
Encontramos Pedro Henrique, Diogo, Betinho e tomamos algumas cervejas devido no estádio ser proibido a venda de bebidas. Ao entrarmos vários policiais corrigindo aos torcedores da mesma forma dispensada aos marginais o que é bastante constrangedor. Graças a Deus o conterrâneo Betinho, não deixou que eu passasse pelo constrangimento, pelo que, penhoradamente agradeci.

O jogo iniciou, ficamos no meio da torcida do CSA, para minha surpresa, não vi nenhum rádio de pilha por perto o que achei uma mudança de hábito, no entanto, palavras de baixo calão eram gritadas por homens e mulheres contra pessoas que, acredito, sejam jogadores, administradores ou mesmo o juiz e seus assessores.

Ao sairmos do estádio, nova surpresa, alguém jogou pedras em alguns torcedores do CSA que estavam próximo, então, tivemos que nos abrigar. Isto gerou o deslocamento de policiais a pé, em viaturas ou montados a cavalo. Mais um fato constrangedor para quem vai assistir a um clássico e não brigas.

Outra coisa que me chamou a atenção foi o abandono em que se encontram alguns setores do estádio. No mês do seu aniversário, nada melhor que uma pequena manutenção para depois cantarmos os parabéns com bolo e guaraná.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

LUIZ NETO FILHO (Mocinho) - Márcia Machado


Biografia de papai



Luiz Neto Filho nasceu em Mata Grande, AL, dia 16 de junho de 1932, filho de Alcides Francisco dos Santos e Maria Rosa Machado, teve apenas um irmão biológico Juca Machado dos Santos, que faleceu na mais tenra idade. E dois irmãos adotados por seus pais, Rosa Xavier e Manoel da Silva. Passou boa parte da vida na sua cidade natal, saindo apenas durante algum tempo para trabalhar em São Paulo e no Maranhão. Posteriormente passou a residir em Delmiro Gouveia até o dia em que veio a falecer em 21 de outubro de 2015.

Foi casado com Marinete Alves Machado e desta união nasceram 6 filhos, Márcia Maria Machado Nunes, Mário Sérgio Machado dos Santos, Margarete Lúcia Machado Lisboa e Luiz Maurício Machado dos Santos; dos quais 2, Marisa Machado dos Santos e Manoel Machado dos Santos faleceram prematuramente.

Recebeu o mesmo nome do avô materno Luiz, que lhe tinha grande apreço e começou a chama-lo Mocinho, apelido pelo qual ficou conhecido durante toda sua vida. Foi proprietário de alguns terrenos no município de Mata Grande como o Jacu, a Boa Sombra e a Boa Vista. Mas o que gostava mesmo de fazer era dirigir sua camionete transportando gente o que fez durante mais de 30 anos.

Foi desbravador do percurso Mata Grande – Delmiro Gouveia via Santa Cruz do Deserto e Água Branca. Fizesse um sol de rachar ou um inverno rigoroso com lama e chuva por todos os lados, ele nunca falhava, saía com sua camionete em busca dos passageiros que lhe esperavam confiantes, pois sabiam que, mesmo que não desse para nenhum outro carro passar, Mocinho chegaria e lhes transportaria ao destino desejado. E foi assim por mais de três décadas. Enquanto os outros motoristas faziam o percurso pelo Inhapi para se livrarem da lama e dos buracos na estrada sem asfalto, ele continuava no mesmo percurso, engolindo a poeira da estrada nos verões ardentes, ou atolando a camionete nos lamaçais de inverno. Sempre fiel ao horário e aos passageiros que o esperavam, por acreditar que não devia deixá-los entregues à própria sorte.

Todas as pessoas da região que lhe conheceram ou ouviram alguém contar histórias a seu respeito sabem que Mocinho ousava desafiar os limites impostos pela natureza, para ajudar as pessoas a chegarem ao seu destino, e mais do que isso, sabem que Mocinho foi um homem honesto, um homem de bem que sempre honrou seus compromissos e soube fazer amizades por onde passou.









                     Márcia Maria Machado Nunes

                    E-mail mmarciamnunes@gmail.com

                    WhatsApp  82-99620-5454




quarta-feira, 12 de setembro de 2018

SABER OUVIR É UMA ARTE - Germano





Poucas são as pessoas que praticam essa arte. Normalmente, gostam de falar e não poucas vezes atrapalham quem está falando, não pela falta de educação e sim, pelo simples ato de querer sempre falar.


Sabemos que existem muitos cursos de oratória, todavia nunca se ouviu falar em um curso de escuta. Hoje em  dia  com o  advento da internet as famílias têm o hábito de não mais conversar, gerando uma multidão carente de serem escutadas,  haja vista, terem os seus assuntos a externarem ou mesmo para um bom bate papo cotidiano. 


Por esta razão, sempre  escute o teu amigo ou mesmo uma pessoa em uma caminhada ou em uma das calçadas por onde estiver andando.


Em muitas casas , nas horas das refeições existe o costume de se ligar a televisão, isso também faz com que os familiares  se omitam de conversar, ficam todos escutando o que diz a televisão, todavia, é mais uma forma  que contraria a arte de ouvir as queixas, orientações ou mesmo fatos corriqueiros do trabalho ou da vida social, uma vez que todos permanecem calados.


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

DOMINGOS FERNANDES CALABAR - Germano






Quando estudei no Ginásio Felix Moreno, nos  anos sessenta a matéria HISTÓRIA DO BRASIL, era ditada pelo saudoso Professor Dr. Luiz Luna Torres e naqueles anos  já questionávamos se Calabar era ou não um traidor, tínhamos os debates, todavia a história predominava pois era a oficial.

Já depois de casado, conhecendo as cidades do litoral norte do Estado de Alagoas  que ficaram sob o domínio dos holandeses, pude observar que eles eram bem organizados e   os prédios que deixaram implantados tinham algo de diferente, assim como, o desenvolvimento da região .

Pesquisando na internet li o abaixo que copiei e colei:

 

“(Militar brasileiro que lutou ao lado dos holandeses)
1600-1635, Porto Calvo, Alagoas


Domingos Fernandes Calabar, militar brasileiro, nasceu e morreu em Porto Calvo, Alagoas. Foi educado por jesuítas, prosperou e se tornou senhor de terras e engenhos de açúcar. Entre 1630 e abril de 1632, participou da luta contra os holandeses sob as ordens de Matias de Albuquerque. Em 1632, passou para o lado do invasor por considerar o domínio holandês mais benéfico para o Brasil que o jugo português – e Portugal, na época, estava sob domínio espanhol. Grande conhecedor do terreno, sua colaboração foi de grande valia para a penetração holandesa, mas, em 1635, o governador pernambucano conseguiu render as forças holandesas. Julgado sumariamente, foi considerado traidor e enforcado por ordem de Matias de Albuquerque.” (Net Saber-Biografias).

No dia 23/07/2018 assisti na TV que a população da cidade de Porto Calvo resolveu colocar Calabar no banco dos réus e formalizaram um julgamento cuja sentença tira dele a pecha de traidor.

O povo sabe o quanto é difícil mudar uma história de vários séculos, todavia, doravante, a história tem que mudar e Calabar não será mais reconhecido como um traidor da pátria e sim como um herói, tomando assento a Zumbi dos Palmares, Ganga Zumba e Tiradentes.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A LIDERANÇA - Germano




Segundo o dicionário de Augusto Miranda o termo quer dizer: Função de líder; Forma de dominação baseada no prestígio pessoal e aceita pelos dirigidos. É um substantivo feminino.

A Bíblia Sagrada nos ensina em Mateus 23 que não devemos chamar ninguém de mestre, pois Mestre somente o Altíssimo, alí se aprende, os que se exaltam serão humilhados todavia, não resta dúvidas de que somos  sempre comandados, normalmente dominados  por pessoas de prestígio e que exercem quaisquer tipos de liderança.

Vejam o que diz Robson Santarém: “ Estou cada vez mais convicto de que se não trabalharmos arduamente na formação do caráter, de nada valerão as melhores habilidades e conhecimentos que alguém possa ter. Ainda vivemos muito preocupados em proporcionar acesso e condições de desenvolvimento, de habilidades e conhecimentos  que possibilitem aos profissionais serem bem sucedidos em suas carreiras.

Isso é  muito importante;  o sucesso, porém, está na atitude! Se quisermos um mundo melhor, antes de tudo precisamos despertar e expandir a nossa consciência para a importância dos valores em nossa vida. O que fez , faz e fará sempre a diferença é o caráter, a começar  pelas lideranças. Para ser um excelente líder é preciso ser um excelente ser humano!”

O exercício da liderança não é para qualquer um, existe o líder nato e o que se impõe pelo poder que exerce, mas, um bom líder faz com que as pessoas  comuns  façam coisas incomuns.

Uma sociedade, uma cidade ou mesmo uma pequena  aldeia em plena atividade sempre precisa de um líder, que pode ser um  dos mais idosos,  ou um mais experiente ou mesmo um  aclamado por votação.

Normalmente esse líder precisa ter caráter e capacidade suficiente para escolher os melhores caminhos para que possa atingir os objetivos desejados pelos comandados. Sem ter essa capacidade ninguém consegue alcançar ou se aproximar da plenitude desejada. Sem ela não se pode exercer a liderança.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

O FRIO E O COBERTOR - Walter Medeiros








O frio e o cobertor

--- Walter Medeiros


No pé da serra da onça
Senti frio encantador
Dos pingos, da enxurrada,
Aguaceiro, que esplendor!
E no cantinho do quarto
Achei aconchego farto
No mais quente cobertor.


Era o melhor cobertor,
Com aquele grosso na beira,
Que meu pai comprou na feira
Num grande gesto de amor;
Lutava contra a goteira
Que molhava a vida inteira
O chão que ele arrumou.


Na serra só tem quentura
Se a chuva não aparece,
Pois quando a noite desce
E chega a hora de louvor,
O frio vem com a prece
O novo dia amanhece
Com frio orvalho na flor.


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

LEMBRANÇAS EM VERSOS - Walter Medeiros





Lembranças em versos

--- Walter Medeiros

Uma cidade, uma vida, um livro. É a reflexão que faço da viagem que fizemos agora em julho, por uma parte do nordeste, e que teve um momento mais marcante que as belezas das praias de Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa e Natal. Um momento no Teatro Deodoro, belo monumento da cultura alagoana, onde encontramos, de surpresa, amigos de infância e da vida toda. Amigos que nos envolvem em versos, em prosa, em recordações, saudade. Saudade do tempo em que moramos tão longe, no alto sertão de Alagoas.


A tarde caía em Maceió, quando Graça e eu fomos chegando ao Foyer do teatro, mais belamente chamado de Café da Linda. Junto à porta que dá para a praça, duas mulheres sentadas, que recebem nossos cumprimentos. E esboçam curiosidade. Queriam saber se eu era de Mata Grande. Então disse que morei lá, vizinho a Germano. Foi o suficiente para uma delas apresentar-se como irmã do ex-vizinho. Era Helena Mendonça. Aquela mesma mulher magra que há muitas décadas brincava, passeava e estudava com a minha irmã Clemilda. Vieram, então, todas as recordações possíveis, inclusive do cheiro de pão assado com manteiga. O pão que chegava quentinho da padaria de Seu Balbino, pai de Helena, Valdeci, Valderez, Germano e Hidelbrando.


Pelo outro lado chegou a vizinha do outro lado, Márcia. A neta de seu Zé Lúcio, professora, lutadora, o maior motivo para estarmos ali. Era o lançamento do seu livro de poemas “Lembranças, apenas...”. Belo livro, que autografou carinhosamente para nós, para Wellington, Clemilda e todos os que compareceram ao belo evento. Uma noite de muitas emoções, marcada por reencontros, histórias, amizades, lembranças, quantas lembranças, das coisas de Mata Grande! A cidade que resolveu dar a mim o título de Cidadão Honorário, em 2012, em outra noite alagoana de muita felicidade.


O livro de Márcia faz a gente viajar a cada canto de Mata Grande, sentir cada emoção dos tipos matagrandenses, passar por tantas épocas que fizeram a bela cidade que hoje tem muita coisa marcante, inclusive o ponto mais alto de Alagoas. Ela transmite muitas emoções fortes, ao transformar em versos aquele dia a dia da feira, dos carros de boi, dos sítios, das serras, dos amigos, dos parentes, da saudade. Versos dedicados ao seu marido, Manuca, a seus filhos e netos. E aos seus pais e avós, que tanto abrilhantam aquelas páginas. Versos que nos trazem tão forte nostalgia, como aqueles do poema “Agendas antigas...”, falando sobre telefones de “Amigos antigos ausentes, dividiram o espaço / Com as agências de viagens, as farmácias...” _/ “Apenas nomes deixados pelo tempo”.

Belo livro. Belos poemas. Belas lembranças. Nova saudade, Márcia!