LONGEVIDADE – Fernanda Quinta
As estatísticas dizem que as
mulheres vivem mais do que os homens. No século passado, um homem com 60 anos
era considerado um velho, atualmente vemos muitos com 90 anos e lúcidos.
Existem dados que a mulher é
mais precavida com os exames rotineiros, todavia, o homem tem sido tratado
desde a infância com as doses recomendadas pelo governo e segue , após os quarenta
anos até com os exames da próstata, coisas antes muito difícil, também uma grande parte já faz os exames anuais, entre eles se destacam as
vacinas e os exames rotineiros.
Exames cardiológicos
Ao longo da vida adulta, o
cenário deveria se consolidar com um acompanhamento preventivo mais
disciplinado — mas é justamente aqui que muitos homens somem do sistema de
saúde. A cardiologia é uma das áreas que mais sente esse afastamento.
“A maioria dos eventos
cardíacos em homens ocorre sem aviso prévio — mas não sem sinais prévios.
Pressão arterial alterada, colesterol e glicemia desregulados, inflamação,
distúrbios do sono, estresse… tudo isso aparece nos exames muito antes do
infarto.
O problema não é a falta de
tecnologia, é a falta de consulta”, afirma o Dr. Carlos Eduardo Suaide,
coordenador da cardiologia na Dasa, em São Paulo para as marcas Delboni Salomão
Zoppi, Lavoisier e Alta Diagnósticos.
Exames após os 40 anos
Nos check-ups masculinos
avaliam-se indicadores essenciais: colesterol, glicemia, hemograma, função
renal e hepática, vitamina D, marcadores inflamatórios, hormônios (como
testosterona), exames de urina e eletrocardiograma.
Para homens acima dos 40 anos,
a recomendação inclui PSA (exame de sangue para avaliar a saúde da próstata) e,
quando indicado, o toque retal realizado em consultório médico. Para aqueles
com sinais de queda hormonal, o acompanhamento da chamada andropausa (o
climatério masculino), com avaliações metabólicas e hormonais, auxilia
intervenções preventivas e melhora da qualidade de vida.
A partir dos 45 anos (ou
antes, em caso de histórico familiar), a preocupação com o câncer de próstata
exige ainda mais atenção. É o tumor mais incidente em homens no Brasil, com 72
mil novos casos estimados anualmente, segundo o Instituto Nacional de Câncer
(INCA).
Embora seja altamente tratável
quando detectado cedo, muitos ainda chegam ao diagnóstico em estágios avançados
— justamente por evitarem o cuidado preventivo.
Genômica a serviço da saúde
O avanço da tecnologia é uma
grande aliada para a identificação precoce de doenças. “A genética nos permite
identificar variantes que aumentam o risco de câncer de próstata e outros
tumores hereditários muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas. É uma
ferramenta que personaliza o cuidado e antecipa o rastreamento com dados
científicos sólidos”, explica o oncogeneticista Henrique Galvão, da Dasa
Genômica.
Entre os exames disponíveis no
Brasil, estão os painéis de predisposição hereditária ao câncer (que avaliam
genes como BRCA1, BRCA2, TP53, CHEK2 e ATM), o painel ampliado para câncer
hereditário, além de painéis focados em câncer masculino, como Score de Risco
Poligênico, indicado para homens que possuem casos de câncer de próstata na
família ou que precisam avaliar se estão em risco aumentado para esta doença.
Eles orientam médicos a mapear riscos, ajustar a frequência dos exames de
imagem e decidir intervenções precoces.
Importância da vacinação
A vacinação é outro cuidado
essencial para manter a saúde do homem ao longo da vida. “Vacina é cuidado
masculino. Do HPV ao herpes-zóster, do tétano à gripe anual, grande parte dos
quadros evitáveis em homens adultos está associada a atrasos ou ausência de
imunização”, ressalta a infectologista Rosana Richtmann.
Saúde do homem é construída
todos os dias
Ao final dessa jornada, fica
evidente que tecnologia não é o problema. O Brasil dispõe de check-ups
completos, atendimento domiciliar, exames genéticos de alta precisão, vacinas
modernas, inteligência artificial aplicada à radiologia e protocolos avançados
de prevenção. O que falta, como mostram os dados, é o passo mais básico: a ida
ao consultório.
Afinal, a saúde do homem é
construída todos os dias — desde a infância até a maturidade — e que viver mais
passa, obrigatoriamente, por consultar, acompanhar, prevenir e agir antes do
sintoma.
Por Fernanda Quinta