domingo, 17 de maio de 2026

LONGEVIDADE – Fernanda Quinta

 

LONGEVIDADE –  Fernanda Quinta

 

As estatísticas dizem que as mulheres vivem mais do que os homens. No século passado, um homem com 60 anos era considerado um velho, atualmente vemos muitos com 90 anos e lúcidos.

Existem dados que a mulher é mais precavida com os exames rotineiros, todavia, o homem tem sido tratado desde a infância com as doses recomendadas pelo governo e segue , após os quarenta anos até com os exames da próstata, coisas antes muito difícil,    também  uma grande parte já faz os  exames anuais, entre eles se destacam as vacinas e os exames rotineiros.

Exames cardiológicos

Ao longo da vida adulta, o cenário deveria se consolidar com um acompanhamento preventivo mais disciplinado — mas é justamente aqui que muitos homens somem do sistema de saúde. A cardiologia é uma das áreas que mais sente esse afastamento.

“A maioria dos eventos cardíacos em homens ocorre sem aviso prévio — mas não sem sinais prévios. Pressão arterial alterada, colesterol e glicemia desregulados, inflamação, distúrbios do sono, estresse… tudo isso aparece nos exames muito antes do infarto.

O problema não é a falta de tecnologia, é a falta de consulta”, afirma o Dr. Carlos Eduardo Suaide, coordenador da cardiologia na Dasa, em São Paulo para as marcas Delboni Salomão Zoppi, Lavoisier e Alta Diagnósticos.

 

Exames após os 40 anos

Nos check-ups masculinos avaliam-se indicadores essenciais: colesterol, glicemia, hemograma, função renal e hepática, vitamina D, marcadores inflamatórios, hormônios (como testosterona), exames de urina e eletrocardiograma.

 

Para homens acima dos 40 anos, a recomendação inclui PSA (exame de sangue para avaliar a saúde da próstata) e, quando indicado, o toque retal realizado em consultório médico. Para aqueles com sinais de queda hormonal, o acompanhamento da chamada andropausa (o climatério masculino), com avaliações metabólicas e hormonais, auxilia intervenções preventivas e melhora da qualidade de vida.

 

A partir dos 45 anos (ou antes, em caso de histórico familiar), a preocupação com o câncer de próstata exige ainda mais atenção. É o tumor mais incidente em homens no Brasil, com 72 mil novos casos estimados anualmente, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Embora seja altamente tratável quando detectado cedo, muitos ainda chegam ao diagnóstico em estágios avançados — justamente por evitarem o cuidado preventivo.

 

Genômica a serviço da saúde

O avanço da tecnologia é uma grande aliada para a identificação precoce de doenças. “A genética nos permite identificar variantes que aumentam o risco de câncer de próstata e outros tumores hereditários muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas. É uma ferramenta que personaliza o cuidado e antecipa o rastreamento com dados científicos sólidos”, explica o oncogeneticista Henrique Galvão, da Dasa Genômica.

 

Entre os exames disponíveis no Brasil, estão os painéis de predisposição hereditária ao câncer (que avaliam genes como BRCA1, BRCA2, TP53, CHEK2 e ATM), o painel ampliado para câncer hereditário, além de painéis focados em câncer masculino, como Score de Risco Poligênico, indicado para homens que possuem casos de câncer de próstata na família ou que precisam avaliar se estão em risco aumentado para esta doença. Eles orientam médicos a mapear riscos, ajustar a frequência dos exames de imagem e decidir intervenções precoces.

 

Importância da vacinação

A vacinação é outro cuidado essencial para manter a saúde do homem ao longo da vida. “Vacina é cuidado masculino. Do HPV ao herpes-zóster, do tétano à gripe anual, grande parte dos quadros evitáveis em homens adultos está associada a atrasos ou ausência de imunização”, ressalta a infectologista Rosana Richtmann.

 

Saúde do homem é construída todos os dias

Ao final dessa jornada, fica evidente que tecnologia não é o problema. O Brasil dispõe de check-ups completos, atendimento domiciliar, exames genéticos de alta precisão, vacinas modernas, inteligência artificial aplicada à radiologia e protocolos avançados de prevenção. O que falta, como mostram os dados, é o passo mais básico: a ida ao consultório.

Afinal, a saúde do homem é construída todos os dias — desde a infância até a maturidade — e que viver mais passa, obrigatoriamente, por consultar, acompanhar, prevenir e agir antes do sintoma.

 

Por Fernanda Quinta

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