quinta-feira, 13 de novembro de 2014

SEU MANOEL PISTOLA - Germano.


SEU MANOEL PISTOLA - Germano.

 Brasília (DF), 13/11/2014.

Sempre gosto de relembrar de conterrâneos que conhecemos durante a adolescência. Hoje aqui em Brasília me veio a lembrança de seu Manoel  Pistola. Como aconteceu? Você até pode perguntar. Bem, estava vendo o Bom Dia Brasil, quando apareceu uma entrevistada que achei parecida com sua neta  Edeilde. Imediatamente  pensei em Quinca Pistola, seu filho que  residia no Mandacarú e possuía um carro de bois. Já o  pai, Manoel Pistola era querido por toda a garotada matagrandense. Ele proprietário de uma "onda" (espécie de carrosel) e nos finais de ano quem arranjava uns trocadinhos , guardava para andar na onda de seu Manoel Pistola. Residia  no bairro Mandacaru onde ainda permanece alguns dos seus descendentes, todos de boa índole e queridos pela sociedade local.

Seu Mané Pistola como era conhecido também trabalhava nos engenhos de rapadura, principalmente no de seu Manoelzinho Matias que ficava localizado no Sítio Almeida, zona rural do município de Mata Grande.

Icléa, minha querida esposa, quando me ouviu falar nele me contou que...  "certo dia foi com a colega Luzanira (Luza) filha do saudoso comerciante e grande oposicionista  político Jônatas  Alencar Dores conhecido como João Nata, foram  para o engenho de seu Manoelzinho Matias e lá estava sentada na janela que ficava entre o local onde os bois rodavam  as engrenagens do engenho que  moíam as canas de açúcar e os tachos destinados ao fabrico de mel, os quais são aquecidos pela fornalha.

Inesperadamente, um boi de pontas, a arremessou para o alto e ela ia cair justamente dentro de um tacho em alto grau de temperatura. Seu Mané Pistola, que era também "mestre" na arte do fabrico do mel, largou a peneira e me segurou no ar."  Completou a história e disse: "DEVO A MINHA VIDA A ELE".

Se eu já tinha boas recordações de Seu Mané Pistola, doravante, jamais o esquecerei não somente pela onda, mais também pelo bravo gesto acima mencionado.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A CULTURA DO HOMEM OU O HOMEM DA CULTURA? - Joelder Pinheiro


A Cultura do Homem ou o Homem da Cultura?

Por Seminarista Joelder Pinheiro Correia de Oliveira

 

            Já de início, vale ressaltar que existe uma diferença basilar entre o que é natural do que é cultural. Natural é tudo aquilo que não sofreu a interferência do ser humano; é o ordenamento que rege os seres e os encadeiam num organismo cíclico vital, num ciclo tão sistemático que mesmo as espécies mais exóticas ou horripilantes tornam-se importantes. Noutras palavras, natural é a manifestação das coisas tal como são, ou seja, é o cosmo que, como diz a sua etimologia, é ordenado desde sua origem. Nesta estrutura natural está uma espécie diferenciada, que se destaca por sua racionalidade e dignidade: o homem.

            Poderíamos nos perguntar: o que é o homem? As explicações que encontraremos serão inúmeras, passando pela antropologia, filosofia, biologia, sociologia, enfim, cada área o identificará por sua ótica de pesquisa. O homem é um ser magnânimo, que tendo recebido, como dom, a racionalidade, assume o papel e a possibilidade de ser criador, inventor e construtor de sua própria história. Ele não é apenas mais uma criatura entre tantas, é um ser incrível, cheio de potencialidades. O homem traz em si a junção de tempo e eternidade, numa relação que o torna capaz de se realizar, porém, sempre desejoso de possuir algo maior; trocando em miúdos, o homem é um ser que conhece e luta para alcançar o objeto conhecido, que pode escolher e sabe que está escolhendo, num caminho ascendente e transcendente. O homem é um ser tão claro, tão estudado, tão manifesto, e, ao mesmo tempo, tão sombrio, tão oculto, tão misterioso. Estas relações um tanto paradoxais são interessantes porque, por mais que se investigue sobre o homem, sempre tem algo a ser descoberto. O homem é um ser mutável que está em constante construção!

            A produção cultural se dá nessa relação entre o homem e a natureza, isto é, a cultura é ação do homem que cria, inventa, e, para tanto, ele se utiliza da natureza ou inspira-se nela. Diria mais, a cultura é um transbordamento do homem, que, inquieto, manifesta suas alegrias e tristezas na dança, na pintura, no artesanato... Que amando ou odiando cria versos melódicos, poemas, músicas... Que pensando sistematicamente ou em devaneios inesperados escreve, projeta, arquiteta, formula... Que sendo homem, não se contenta em apenas sê-lo, mas quer se perpetuar pelos feitos heroicos e inéditos.

            A cultura é tão veemente que marca a vida de um povo, de uma região, como uma característica que torna esse povo tão peculiar, tão singular. É uma marca bela que embeleza a cotidianidade e os costumes dum povo. Neste sentido, a cultura é do homem, é objeto dele. Quando a cultura é um transbordamento do homem, gera-se uma harmonia entre a diversidade cultural. Neste sentido, a diversidade cultural demonstra o quanto o homem é rico em sua criatividade e em seu modo de ver o mundo que o cerca. Essa diversidade nunca será conflituosa, por dois motivos: pelo respeito ao próprio homem e pelo reconhecimento da capacidade criadora de outrem.

            Quando, porém, uma cultura se sobrepõe a outra, o homem, mesmo que não perceba, passa a ser objeto. Nesse conflito não é levado em conta a pessoa, mas o desenvolvimento de capacidades de um grupo cultural. Eis porque existe tanto preconceito contra a cultura nordestina, reduzindo-a a uma imagem deturpada e vazia. Eis porque a cultura norte-americana ou europeia se impõe como parâmetro determinante dos modos como as outras culturas, tidas como inferiores, devem se portar. Nessas relações, o homem não é levado em conta, ele é da cultura, é objeto dela. Em outras palavras, quando o homem torna-se objeto da cultura, cria-se uma hierarquia cultural sem sentido, gerando o desrespeito.

            É inaceitável tal postura! Será que é correto aceitar que o baião, a figura do vaqueiro, o chapéu de couro, os festejos de São João e São Pedro com suas quadrilhas, e outras tantas formas de manifestação cultural do nordeste sejam tidas como desconsideráveis ou inferiores? Não! Devemos valorizar nossa cultura, nosso jeito de ser nordestino, com o sotaque arrastado e outras tantas características, sem querer importar outras culturas à nossa somente por sem consideradas melhores. A beleza da cultura está na sua diversidade. Não há necessidade de rótulos de melhores ou piores, evoluídas ou não, pois toda construção cultural não é o resultados de competições de produção, mas o resultado da beleza de ser homem, de poder criar e ser capaz de se expressar de modo todo peculiar.

            Portanto, depois de tudo isso, cabe a pergunta: a cultura é do homem ou o homem é da cultura? Por mais que o homem sofra influências culturais, a cultura deve ser sempre um objeto do homem, pois se ele se torna objeto dela, haverá desigualdades, preconceitos e desrespeitos. Se homem se torna uma coisa, não será levado em consideração e sua dignidade não será respeitada. Somos convidados a respeitar a diversidade cultural! Quer seja nordestino ou não, brasileiro ou não, amemos nossa cultura e valorizemos as demais, construindo a unidade na diversidade e a harmonia na pluralidade.

 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

FESTANÇA EM MATA GRANDE - Zezinho de Laura


 
 
 
 
 

FESTANÇA EM MATA GRANDE-AL

 I

 SÃO JOÃO LA NA MATA

 TEM MUITA FESTANÇA

 FOGUETES E ROJÕES

 A TERRA BALANÇA

 II

 BATATA E PÉ DE MOLEQUE

 TEM FORRÓ E ARRASTA PÉ

 TEM PIPOCA E MILHO VERDE

 TEM BOMBINHA E BUSCA PÉ

 III

 TAMBÉM NÃO PODE FALTAR

 O CASAMENTO CAIPIRA

 A CANJICA E A PAMONHA

 E A FAMOSA QUADRILHA

 IV

 MILHO COZIDO E MILHO ASSADO

 BATATA VERMELHA E BRANCA

 MUITA CACHAÇA E QUENTÃO

 MULHER DE QUEBRAR A BANCA

 V

 DANÇA ANTONIO COM A FÁTIMA

 JOAQUIM DANÇA COM ANDRÉA

 JOÃO SE AGARRA COM MARIA

 O GERMANO COM A ICLE A

 VI

 SEU ZÉ MARQUES NO FOLE

 NO TRIANGULO O ABDIAS

 NO PANDEIRO O BENEDITO

 NO ZABUMBA O ZÉ MARIA

 VII

 SÃO DIAS DE MUITAS FESTAS

 SEJA SÃO PEDRO OU SÃO JOÃO

 O POVO AGRADECE A DEUS

 PELA FARTURA DE MILHO E FEIJÃO

VIII

 NÃO IMPORTA SE É ANTONIO

 SÃO JOÃO OU SÃO PEDRO

 TODO MUNDO SÓ QUER

 BRINCAR NO FOLGUEDO

 Zezinho de Laura.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mata Grande: na visão de um matagrandense - Joelder Pinheiro







Mata Grande: na visão de um matagrandense
 
Por Seminarista Joelder Pinheiro Correia de Oliveira
 
            A beleza de um lugar está muito além do que se pode ver, está tão distante dos sentidos preconceituosos quanto do juízo de quem não conhece sua história, sua cultura, seu povo. Muitas vezes, as pessoas julgam os lugares sem conhecê-los. “Tu és de onde?” – alguém pergunta. “Sou de Mata Grande” – respondo. “‘Vixe’, onde fica isso?... É no fim do mundo...”. No fim do mundo está quem se fecha em sua pobreza cultural, geográfica e histórica.
Se o sertão é o “fim do mundo”, no fim do mundo tem um grande tesouro. Tesouro que fica entre serras, guardado pelo esverdeado das campinas, coberto pelo manto azul do céu, e refrigerado por um clima agradabilíssimo que torna o dia ameno. O sertão é rico, rico pelo seu povo forte e viril, pela sua gente simples e acolhedora, capaz de sofrer sem perder a esperança, de chorar sem perder a fé. E neste sertão está Mata Grande, com seu povo e sua história, sua riqueza.
            Oh Mata Grande, como não amar tuas serras verdes e férteis? Como esquecer as águas cristalinas que jorram de tuas fontes? Como não sentir o acaloramento com que teus filhos acolhem os visitantes? Como esquecer a torre da Matriz que pode ser vista em todas as partes da cidade, como que lembrando o tempo todo que aquele povo tem fé? Como não se sentir fervoroso e contagiado pelas festas de dezembro, em honra a Nossa Senhora da Conceição, tua padroeira? Como não se rejubilar pelos vultos ilustríssimos que enaltecem a tua história e a história das terras alagoanas? Como não relembrar tua história mais que centenária?
            É verdade que muita coisa já mudou, muitos prédios antigos foram destruídos, outros estão se ruindo pelo descaso, como a antiga cadeia pública; muitas figuras ilustres que marcaram o tempo com sua existência já faleceram; outros costumes foram trocados pela tecnologia da modernidade. Mas uma coisa não pode ser mudada, esta nunca será modificada, porque nem a borracha do tempo é capaz de apagar: a tua história.
            Uma coisa é certa: quem conhece Mata Grande e toma de sua água – como se diz por lá – sempre quer retornar às suas terras!

 

 

          

sábado, 18 de outubro de 2014

SANTA CRUZ DO DESERTO - Germano







SANTA CRUZ DO DESERTO –Germano



Importante e sensacional descoberta sobre  Santa Cruz do Deserto foi efetivada e publicada em seu blog  pelo escritor alagoano Etevaldo Amorim, que é alto funcionário da Secretaria da Agricultura deste Estado. No início da carreira profissional ele trabalhou em Mata Grande como extensionista  rural da antiga EMATER, daí seu apego por nossa cidade. Pelo visto, acredito que tenha estudado em Satuba ., onde existe  a escola agrícola formadora de excelentes profissionais.

A sua publicação trouxe a tona a lembrança de alguns homens que fizeram a  história recente daquele importante Distrito, entre eles, lembro do Sr. Genésio Martins, Antonio Barbosa da Silva, José Paulo,  Dedé da farmácia, José Cipriano, Antonio Cipriano e tantos outros que a memória no momento falha.

Santa Cruz do Deserto hoje já deveria ser cidade e para isto, tem grande potencial tanto na parte comercial como na agropecuária. Acredito que, com o término do asfalto, cujos serviços estão em andamento, o seu  desenvolvimento passe a ter passos galopantes.

Santa Cruz do Deserto é tão antiga quanto  Mata Grande, e isto é o que achei interessante, leia a seguir o texto publicado no  BLOG DO ETEVALDO:



Por Etevaldo Amorim


Durante o curto período em que exerci a função de Extensionista, na antiga EMATER, tive oportunidade de ministrar um curso de formação num pequeno vilarejo do município de Mata Grande: Santa Cruz do Deserto. Ali, na pequena capela, diante de um grupo de agricultores prejudicados pela seca, tentava incutir em suas mentes algo de técnico, como era do meu ofício. Lembro-me de, ao final, uma mocinha vir me entregar um papel, uma folha de caderno. Ali ela escrevera, em nome de seu pai, pobre agricultor, um relato dramático da sua situação, que era, na verdade, comum a todos.

Nas reuniões, no Escritório Regional em Santana do Ipanema, os colegas faziam chacota, achando engraçado aquele nome. Santa Cruz do Deserto... Pleno sertão, no caminho entre Mata Grande e Água Branca, antes de subir a serra. Muitas vezes passei por lá a caminho de Delmiro Gouveia, onde respondi, por menos tempo ainda, pelo Escritório Local.

Hoje, vendo um exemplar do Jornal do Penedo, edição de 25 de janeiro de 1879, encontro uma nota de alguém que se assina com o pseudônimo de “S.”, revelando como se fundou a capela daquele lugar. Como sei que muitos, talvez, não terão a oportunidade de ler, transcrevo a seguir:


“Lá, em um sítio solitário, quatro léguas acima da Mata Grande, Santa Cruz do Deserto é a primeira terra que se oferece aos olhos do que sobe de Terra Nova.

Quem sobe deste lugarejo, virando as costas para o sol, no fim de três léguas, a Norte de Pariconha, as eminências abaixando-se, retraindo-se, avista uma fita de terreno fértil e vicejante, assombrado de frescos arvoredos, qual é a planície abençoada da Santa Cruz do Deserto.

Em meio duma catinga esfarelada e rasa, entre serras que se arredondam, cingindo-a, o viajante pasma diante do espetáculo daquele sítio aonde se comove e exalta a cada passo.

É justamente o ponto mais vistoso deste sítio ameno e risonho que a piedade dos fiéis, muitos anos há, venerou, construindo uma capela, ou santuário, ornada de um só altar dedicado à Santa Cruz.

É célebre a história deste santuário, tão visitado pela devoção dos peregrinos, tão falado pelos seus grandes milagres.

Uma pia e velha tradição sustenta que, durante o ano de 1793, o famigerado Frei Vidal¹, que percorria a Província pregando e fazendo boas obras, descansou naquele ermo, então viçoso de ricos cedros e vistosos pereiros, cuja flor balsâmica recendia com fragrância a largo espaço.

Antes de prosseguir sua marcha, em memória da sua passagem por ali, mandou juntar duas achas de tosco e tortuoso cedro em forma de CRUZ e, benzendo-a, fincou-a no chão, ao lado esquerdo do atalho que dá para a Mata Grande.

Não muito depois do ano indicado, enfermo e desconfiado dos remédios da medicina, um rústico lembrou-se de invocar e abraçar-se com a valiosa proteção da SANTA CRUZ DO DESERTO. Sucedeu como a esperança lho prometia; porque, no mesmo instante, desapareceu o mal e voltou-lhe a saúde. Para logo o camponês fez cobrir a Santa Cruz, até então posta ao desabrigo, com uma pequena casa de oração.

Mais tarde, a primeira Família da Mata Grande, no seu tributo religioso, mandou construir ali uma Capela, que é a que ainda hoje existe.

Tal é o resumo da história do santuário, em que a reverência dos peregrinos, no ardor do seu entranhado reconhecimento, sagrou a sua memória dos grandes prodígios da SANTA CRUZ DO DESERTO, estampados nas paredes laterais e atulhados à direita e à esquerda da porta principal.

Contemplar aqueles testemunhos, tão eloquentes na sua mudez, é decerto exultar de alegria e ao mesmo tempo bendizer o símbolo sagrado da Redenção.

Ainda hoje, que tantas ruínas atestam a assolação carregada das iras celestes, que passou por cima das povoações vizinhas, ainda hoje SANTA CRUZ DO DESERTO como que só existe para nos apontar o que era e o que é: um padrão de glória.

Ontem, como hoje, no século que já lá foi, como no em que estamos, a Santa-Cruz do Deserto não foi invocada inutilmente. Esta é a razão por que, a cada passo, está sendo visitada por todas as classes e estados.

Ali o Cristo sincero exclama comovido:

—Senhor, Rei da Cruz, tenho fé; ajudai a minha fraqueza!

Ali os crentes simples de coração se consolam na doce esperança de que a suma retidão pagará as tristezas e trabalhos da vida presente com as venturas perenes, afiançadas aos justos e fiéis.

Ali os corações devotos se abrasam no incêndio do amor para com AQUELE que se sacrificou por nós nos braços dolorosos da CRUZ.

—SALVE, ó CRUZ, esperança única!

—SALVE, verdadeira árvore da liberdade!

—SALVE, manancial de salvação e de GRAÇA!


Baixa do Meio, 10 de dezembro de 1878.


S.”

¹
O nome desse frade é Vitale de Frescarolo. Andou pelos sertões do Ceará, Pernambuco e outros

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

MATA GRANDE TU AINDA TEM? - Daniel Malta


 
 
 
 

MATA GRANDE TU AINDA TEM? – Daniel Malta

Oi Mata Grande, minhas lembranças andam meio esquecidas e hoje queria te fazer uma pergunta tu tens ainda as tuas ladeiras maravilhosas? O Padre Aluísio ainda reza suas missas na igreja mais linda do mundo, a igreja azul e branco que quando eu olhava para sua torre dizia será que bate no céu,? O piso da igreja é do mesmo jeito? Com os desenhos brancos e vermelhos, e as pilastras enormes que às vezes os pais colocavam as crianças ali, porque nos seus bancos de madeira já não cabia mais, Tem as portas grandes na frente e nas laterais? Que quando criança ficava entrando e saindo entre uma e outra, D. Lourdes ainda toca em seu teclado? Ainda solta os foguetes feitos por seu Dário e D. Flora ao lado da igreja e nas festas? tem a banda de pífanos quê ficava sentada em um banco na frete da igreja, tu ainda tens Mata Grande?

Ainda tens a estátua de Nossa Senhora da Conceição na praça da rua de cima? que eu perguntava como fizeram ela ? Como ela é grande! E seu Benedito ainda faz a charola da procissão? Tu tens as ruas de calçamento fazendo os Toc Toc quando os cavalos passam, tens ainda a esquina de Merinho, a venda de seu Joaquim e de dona Socorro Binga?, Tem o Posto de Cristo e o Posto de seu Zé Maria? Tem o fotógrafo seu Aloízio e a loja de seu Luiz Brandão? Tem a sorveteria de Tio Jari e o Bar de Seu Noca, Bar de Cassaco, Bar de Luiz de Beja, Bar de Evilásio, Bar do Gago, e a sinuca de seu Dinô, tem o fomento? O mercado da farinha e o Paz e Amor? Está tudinho ai Mata Grande?

A cadeira de balanço de Tio Feitosa está no mesmo lugar em sua porta e o charme de Tio Rubens com seu terno branco ao sentar na praça aos domingos? Seu Miguel de Sula o grande fiscal da prefeitura que sabe atender bem a todos, Alceno Alfaiate, Pedro Rosa o vigilante da praça, Bié de Dorá e o mestre Zé Charito e seu Vida ainda tem aquele cachorro? O delegado Leopoldo e o eterno defensor das pessoas carentes Manoel Roberto, Temista Boêmio, Pé de Ferro, Zivaldo e seu Mané Cumbá ainda tem aquele carro dele preto, é uma verdadeira obra de arte. Pedinho de Lourenço ainda é motorista? E seu Antônio de Rodrigues, Agnelo Bobinha, seu Antônio Barbosa figura ilustre e Zé Coqueiro e minha amiga Rivanda por onde andam, me diz Mata Grande.
Tem a escola Cenecista Félix Moreno com sua quadra de esporte,que jogava o vasquinho, o serrano, cruz de malta e os casados e solteiros, tem a escola Demócrito Gracindo e a escolinha de tia Alba? As professoras Josefina, Edite, Juvina e D. Francisca estão a ensinar ?
Tem Duda e Joaquim Preto que carrega água das fontes da Pipa, João Félix, do Ripitete de João Lalau e a nossa fonte do Cumbe, todas estão ai? A fazenda de seu Antônio Cândido com a beleza da água a sua porta, a represa do posto de Cristo continua a segurar as águas? A nossa praia do Morro Vermelho está ainda a fazer as alegrias nos finais de semana?

E Jabiú ainda toca seu Violão, e as figuras que nós crianças corríamos de medo como Pereirinha, Heleno e tinha outros que fazia a cidade mais alegre Zé Doido, Panga, Taioba, Pirú Baixeiro e seu pai seu Vicente, e será que Quitéria gaga ainda fala muito?

A rádio Oásis do Sertão ainda está no Ar, com a locução de Zé Adalto e a voz FM de Mufulá?
 
Tem as antenas da Microondas e o Monte Santo com sua Cruz e a maravilhosa Serra da Onça com sua igrejinha que de todos os cantos da pra ver? E a serra de Santa Cruz realmente é a mais alta do nosso Estado?

Tem a feira dia de sábado, e seu Valdir marchante fornece a carne para o almoço gostoso que os feirantes fazem com suas delicias, tipo sarapatel, porco, galinha, bode e buchada, as panelas de barro, as frutas e verduras de uma gostosura só está na Feira? e Arlindo? ainda fazendo seus motes e seu Pompilio Gomes com sua banca? o pessoal corta o cabelo em seu Severino? Tem as D20 que traz todos pra feira e leva ao final de tarde, tens os vários povoados, tem os jumentos com suas cangaias e os carros de boi?

Tem a Prefeitura no mesmo lugar e a Cadeia Pública, a Assembleia de Deus Azul, da cor do Céu, que fica na ladeira do hospital, tem o carro de viagem de seu Moacir? E o caminhão de seu Luiz Gaia? Tem a melhor manga rosa de todos os locais? Tem o puxa-puxa que vende no engenho de Dona Benedita? E o Alambique de seu Jonata e de seu Zequinha.? Tens a Rua de Baixo, a Rua de Cima, o Bom Sucesso, o Galo Assanhado, seu Zé Bezerra continua na Rua Nova e seu Mané Tributino mora no Mandacaru e a alegria da batalhadora Noêmia e Zé Boi da ladeira do Cumbe estão lá? Tem a farmácia de seu Dalvino? E o Supermercado de “G”? , tem o sol causticante e o friozinho da noite, tem a brisa do sertão? Está tudo no mesmo lugar Mata Grande?
Nas festas de Final de ano tens o parque de diversão com seus barcos que ia até o alto e uma prancha para parar, tem o forró nas garagens e as barracas que são montadas na rua? Cicero Livino ainda toca sua sanfona e Boleiro ainda toca seu trombone? seu Nezinho Barbosa ainda faz seus aboios? e Linda faz seus Bolos, Dona Zefinha vende seu puxa-puxa  e Francisca faz seus sequilhos? E as padarias de seu Odilon, Pedro Barbosa, seu Panta e Quinquinha que era um bom jogador de dominó, o parquinho que eu brincava na ladeira de João Félix, ainda tem tudo isso Mata Grande?
E minha Vó Lourdes em seu Cartório e meu avô Dumuriez que ficava na janela vendo a procissão passar sempre no primeiro dia do ano, continua a abrir a janela da casa de minhas alegrias?

E Mata Grande me respondeu.... está tudinho aqui os locais, as pessoas, algumas já se foram, mas o coração destas pessoas estão aqui, mas sinta meu perfume, sinta as alegrias e as coisas boas que temos aqui e quando você estiver sentindo falta de tudo isso, feche os olhos e novamente volte aqui.
Obrigado Mata Grande por Você Fazer parte de Minha Vida!

Daniel Malta.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A OBRIGATORIEDADE DA VELHICE- Germano

A OBRIGATORIEDADE DA VELHICE- Germano

Passei  dos cinquenta sem notar. Já estou beirando os setenta decidindo pelo amadurecimento das ideias, sem, contudo, aceitar a obrigatoriedade da velhice. Cursei o período da adolescência  me preparando para a idade adulta sem notar. Passei pela fase do labor profissional sem me preocupar com o tempo.

 Agora, na fase da envelhescência, (fase preparatória para a velhice continua), permaneço  teimoso e sonhador. Sei que se parar de sonhar naturalmente  tornar-me-ei um velho. Os desafios são constantes e tento evoluir me adaptando as mudanças, aceitando as transformações que a vida moderna impõe.

Gosto de fazer parte do grupo das pessoas de alma leve, que acumula sabedoria e transmite aos semelhantes ensinamentos sadios, onde a possibilidade de superação é possível em todas as situações. Pessoas que olham o universo, são felizes ao ouvir uma boa música,  ao receber o abraço de um colega na presença dos netos. São gratas pelo sol, a lua, as estrelas, a chuva, a terra molhada, a primavera, o verão, o outono e o inverno. Colhem a rosa vermelha da paixão todos os dias e nem sentem as picadas dos espinhos protetores. Pessoas que são sábias e não podem nunca serem chamadas de ingênuas, pois sábios são os que conseguem ser felizes. Para estas pessoas  ter sessenta anos é pouco para o muito que desejam realizar; é pouco para realizar seus sonhos. Pessoas que quando morrerem levarão no rosto a expressão da ternura e seguirão tranquilos, levando ainda consigo um punhadinho de utopia, para que esta rasgue a terra em sua prenhes e germine.(Fonte: Adaptado de A Notícia).

Quiçá, possa assim permanecer durante toda a nova fase que tenho a obrigatoriedade de aceitar. Que seja uma velhice com  saúde e dignidade! Desde já, agradeço a Deus, o Grande Arquiteto deste maravilhoso Universo!


terça-feira, 7 de outubro de 2014

A NOSSA DEMOCRACIA- Germano

 
 

Durante a missa no dia da eleição comecei a ler o verso  do jornal  dominical   O DOMINGO.  Algumas  frases me chamaram a atenção, todavia, as mais interessantes escritas pelo Pe. Paulo Bazaglia, SSP  foram estas:
“... hoje no Brasil, dia de eleições Ecoa como advertência, sobretudo aos que assumem funções de liderança e responsabilidade.
Procuram-se líderes  autênticos, responsáveis e preocupados com o bem do povo. “Líderes que conduzam o povo a um protagonismo que não o deixa entregue à sorte, mas constrói um destino”
“Aos que exercem cargos de liderança em todos os níveis, sejam políticos ou religiosos, cabe o questionamento: qual fruto Deus espera de sua vinha? Como não se corromper pelo poder, mas servir responsavelmente ao bem coletivo?”.

O Brasil clama por líderes comprometidos com a ética e o desenvolvimento. Há algumas décadas houve um candidato que com uma vassourinha, tentou varrer  do País os mal intencionados. Recentemente, outro prometia acabar com os marajás. Insucesso total por parte dos dois. Outros, nos quais o povo acreditava, morreram precocemente sem ter a oportunidade de liderar. A nossa realidade é esta, não temos líderes democratas.

O governo faz acordos para continuar no poder e os legisladores criam leis nas quais asseguram  a sua permanência nos cargos.

No estado de Alagoas onde predomina o latifúndio, o analfabetismo e a violência, pasmem, nove deputados  tiveram mais votos do que um dos eleitos. Isto caracteriza a maioria da vontade popular?
A meu ver isto não é a vontade do povo. A democracia não  esta sendo cumprida, não constitui  a maioria absoluta.

Democracia é um substantivo feminino. Governo do Povo; soberania popular.

Acredito que, se houvesse uma eleição de cinco em cinco anos para preenchimento de todos os cargos, o País economizaria o equivalente a três eleições. Imagine a quantia de dinheiro desperdiçada para enriquecimento ilícito de alguns privilegiados que poderiam ser aplicadas para a melhoria da qualidade de vida  de uma grande maioria de  brasileiros.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O CHAPÉU - Germano


 

O CHAPÉU

Chapéu, s.m. Cobertura de feltro, palha, etc. com copa e abas, para a cabeça. Muito usado  antigamente pelos homens da alta sociedade.

O uso do chapéu atualmente está regionalizado com gostos diferentes. No norte, vem a lembrança  do tempo do primário no Grupo Escolar Demócrito Gracindo onde Seu Fulgêncio  montado em um boi no Pantanal era constantemente  comparado com o vaqueiro nordestino, só que não usava chapéu de couro e gibão. Na região sul ainda vemos o malandro carioca com o chapéu  de palhinha de cor branca, característica própria de quem frequenta as rodas de samba dos morros e adjacências.  Na região  centro oeste os homens costumam usar o chapéu grande, tipo do cowboy american
As diversificações são muitas, mesmo na região nordestina e dentro do nosso estado há uma grande   variedade.
Em Mata Grande usa-se muito o chapéu de massa, principalmente pelos homens mais velhos, o de palha de abas largas pelos agricultores para a proteção dos raios solares e o de couro que caracteriza o vaqueiro nordestino e ainda um de couro branco usados por habitantes do Distrito de Santa Cruz do Deserto.
Após a aposentadoria, face o aparecimento de melanomas, sou obrigado a usar chapéu e passei a ser visto de forma diferenciada. Os olhares de espanto são frequentes, pois até nas blitz policiais, eventualmente, mandam parar quando me avistam com o chapéu, é tanto que, naturalmente, o retiro da cabeça e não sou obrigado a parar.
No mês passado em Brasília fui assistir ao jogo do botafogo e fluminense, quando saí do estádio fui seguido por uma viatura policial. Parei logo adiante, eles passaram olhando, fizeram a volta do carro, passaram devagar e estacionaram logo à frente. Achei estranho, depois lembrei que estava de chapéu, por sorte o dono do carro que aguardava chegou e fomos  para casa.
Vale  lembrar que antigamente todos os homens usavam chapéus como adorno.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

SIM OU NÃO - Germano


 Brasília - DF., 17 de agosto de 2014.

É MELHOR DIZER SIM OU NÃO?

Esta semana a apresentadora Ana Maria Braga questionou as pessoas a respeito do tema : SIM ou NÃO  devido as dificuldades que muitas têm em dizer não.

Ora, responder afirmativamente é fácil e o interlocutor do pedido, obviamente, se sentirá agraciado. No que tange a negar a dificuldade atinge a maioria e, costumeiramente há  o sacrifício próprio por não ter a determinação em dizer não. Normalmente, se encontra uma forma com delongas e desculpas não condizentes, onde se procura convencer o solicitante da impossibilidade de atendimento do pedido.

Lendo  uma revista, deparei com a seguinte frase:

'' As duas palavras mais curtas e mais antigas, sim e não, são as que mais exigem  reflexão'' (PITÁGORAS, 582 - 500 A.C. Filósofo Grego).

Fazendo uma retrospectiva  normalmente, existe a assertiva em sacrifício próprio e de familiares, devido a incumbência de resolver problemas criados por outrem, os quais , no porvir, demonstram ser mal agradecidos.

Recordei que nos anos setenta ouvi um colega dizer:

''Germano, se eu tivesse quem resolvesse os meus problemas,  ficaria  sentado em uma cadeira de balanço, então, quem tiver os seus problemas... que resolva"

Acontece que o  colega tinha razão, todavia, quem tem facilidade e disponibilidade na solução dos problemas dos outros, não esmorece e procura ajudar.

Uma negativa, não tenham dúvidas é muito difícil de se dar e decepciona o pedinte, que muitas vezes se torna um adversário em potencial.