terça-feira, 4 de outubro de 2016

VELHO TRAPIAZEIRO - Remy Bastos




VELHO TRAPIAZEIRO



A adolescência é um passado

 Que viaja com a gente

 Como pássaros providos,

 Por mais que os anos passem

 Mas, em nós sempre renascem,

 Aqueles tempos vividos.



Lembro-me de um trapiazeiro

 Na cidade de Mata Grande,

 Em uma estrada de barro

 Próximo ao Grupo Escolar

 Onde a meninada a vaguear

 Curtia a vida num sarro.



Velho trapiazeiro

 Que galgamos a tua copa

 Como meninos astutos,

 E sem querer fazer alarde

 Quase todas as tardes

 Saqueávamos os teus frutos.



Sei que não existes mais

 O progresso o tombou,

 Mas, na minha sensatez

 Eu confesso trapiazeiro,

 Que viajaria o mundo inteiro

 Para te ver outra vez.



Remi Bastos

 Aracaju/SE, 18/10/2015.

domingo, 25 de setembro de 2016

RUAS DE MATA GRANDE Germano




RUA UBALDO MALTA – Esta é a principal artéria de Mata Grande, local onde fica situado o centro comercial  com o seu trânsito caótico, onde nenhuma lei é respeitada. A sua denominação foi em homenagem ao jovem estudante Ubaldo Malta, assassinado em um tiroteio de mais de três horas de duração, promovido em 1950 por políticos da época que visavam o domínio da cidade.




Nesta rua descia um riacho a céu aberto, depois foram implantadas galerias pluviais, todavia em dias de muita chuva a água ainda causa muitos estragos no comércio local, carecendo de novas obras que visem minimizar o problema e afastar de vez a proliferação de mosquitos na cidade, principalmente os da dengue que tantos prejuízos causam aos residentes.




Ainda hoje nesta rua tem a feira semanal, onde comerciantes de várias cidades vendem os seus produtos, afora os pequenos produtores rurais do município, que trazem sua produção agrícola para vender na feira, como por exemplo: rapadura, mel de engenho, farinha, castanha assada, feijão, milho, ovos e galinhas caipiras, queijos, bolos, verduras e frutas de um modo geral.
                                                               Antes:

                                                                       Hoje:




Das inúmeras lojas de tecidos que existiam, somente uma tem resistido, a que pertence ao Senhor Luiz Brandão, no entanto, o número de supermercados e mercadinhos aumentou consideravelmente.



Com os famosos bares, aconteceu o mesmo e o único que resistiu foi o do Bar do Gago que embora tenha mudado de localização continua sendo bastante frequentado.





Registramos, entretanto, nosso desagrado, a mudança que houve na gestão da prefeita Nielza que demoliu os degraus existentes ao longo da rua e construiu algo que até hoje não trouxe benefícios aquela rua, ao contrário, houve a instalação de várias barracas de lanches e caldo de cana que somente deixam sujeiras.





Acreditamos que, a construção de um calçadão, na parte baixa, com bancos de praça daria muito mais embelezamento a nossa rua principal. Isto obrigaria também, a localização de parte da feira na Av. Juca Ribeiro facilitando, assim, o tráfego de caminhões de porte médio em dias de sábado.










JOÃO MUÇAO, UM PAGADOR DE PROMESSAS-Germano












João Antonio Oliveira Fortes (João Mução), cuja alcunha foi inspirada no nome do humorista MUÇÃO.  É o nosso personagem, tornou-se um excelente radialista em nossa cidade, onde mantém um animado programa na rádio comunitária Antena FM.

A sua história maior, começa no ano 2002 quando começou a consumir bebida alcoólica de forma desenfreada, vício que o levou a cometer loucuras.

No ano de 2005 começou a entrar em profunda depressão e por várias vezes tentou o suicídio, sendo que, na última vez, amarrado em uma cama hospitalar, desesperado e aflito, pensou em fazer um pacto com o Diabo, todavia, lembrou-se dos conselhos da sua genitora, que por ser muito católica, sempre o encaminhou para os caminhos de Deus e pensou: “ Por que não fazer um trato com Deus? ”

Após alguns dias resolveu adotar a segunda opção, dizendo que, se fosse atendido levaria uma cruz de madeira do Sítio Santa Rosa até o cume da Serra da Onça, onde deixaria a cruz fincada e voltada para a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a excelsa padroeira de Mata Grande.

Tendo conseguido superar o vício e a depressão ele pagou a promessa em uma Quinta Feira Maior. Coincidentemente, naquela quinta feira, estávamos inaugurando os dois lances de degraus construídos com a colaboração de vários matagrandenses. Os integrantes do Terço dos Homens, resolveram subir a serra com uma Via Sacra.
Quando estávamos orando, eis que surge o João Mução carregando uma cruz e seguido por várias pessoas. Na oração ele narrou a sua história, disse   que havia levado três facadas, um tiro de revólver na cabeça e uma corda no pescoço, tentando dar cabo a própria vida, nos empolgamos com a sua narrativa e filmamos e fotografamos todo o percurso do Sítio Colosso até o cume da serra.

Hoje, em pleno domingo, no Sítio São José, estávamos em uma reunião política, ele narrou tudo novamente, lembrou que sofreu muito e conseguiu superar as suas dificuldades e sente-se um jovem alegre, liberto e feliz.



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O MISTICISMO – Germano


Segundo Augusto Miranda, é um “ substantivo masculino; crença religiosa dos místicos; devoção contemplativa; tendência para acreditar no sobrenatural; crença religiosa ou filosófica que admite comunicações ocultas entre o homem e a divindade”.

Assistindo  pela televisão o que contou a atriz Camila Pitanga, narrando com detalhes o episódio do afogamento do   ator Domingos Montagner  ( O Santo da novela Velho Chico), a minha  memória em seus devaneios fluiu para o ano de 1974, quando o Banco do Nordeste do Brasil S/A ., me removeu para a cidade de Gararu no vizinho Estado de Sergipe, cidade localizada às margens do Rio São Francisco, o Rio da Unidade Nacional ou Velho Chico como  recentemente é denominado.

Como bom sertanejo, humilde e desconfiado, tratei logo de ensinar os meus filhos a nadar e respeitar as agua do rio, dado a abundância de pedras, barrancos próximos e dentro do leito, com profundas depressões e forte correnteza, afora o perigo das famigeradas piranhas.

Em um certo feriado do mês de setembro, fui convidado pelo agente postal Egídio para tomar banho na Pedra da Joana. O Rio estava cheio, com as suas águas barrentas e participei dos mergulhos após oito pessoas que se revezavam pularem e saírem nadando. Depois de algum tempo resolvemos nadar até o meio do rio e deixar que a correnteza nos levasse até um remanso, local onde as águas retornavam por mais ou menos um quilômetro rio acima. Lá vou eu , temeroso das piranhas, antes porém, me mandaram nadar no meio dos demais nadadores, graças  a Deus foi tudo muito divertido  e em paz.

Na época se falava nas mordidas das piranhas e dentre as histórias pitorescas contadas, se falava no “Nêgo d’água” um ser misterioso que vivia debaixo da água e que puxava as pessoas para o fundo, aparecia raramente e somente algum pescador tinha o privilégio de ver.

Como fui criado ouvindo histórias da “Caipora”, de almas que vagavam e apareciam, do Saci Pererê , da Iara ou “mãe dágua”, da sereia e da Branca de Neve, agora, com os meus setenta anos, fiquei a imaginar, será que foi o Nêgo d’água que  estava puxando a perna do ator?

Os índios da tribo TAFKEA que participaram da novela e o ressuscitaram, fizeram um ritual após a sua morte e afirmaram que o Senhor falou, que ele se tornou  um novo ser de Luz, para proteger o rio, isto também é somente  misticismo?






sábado, 10 de setembro de 2016

O LIXO EM MATA GRANDE - Germano




Exerci o cargo de Secretário da Agricultura do nosso município e com a promulgação da Lei  nº 12.305/10, vislumbrei o quanto era difícil para o gestor municipal assumir as suas obrigações com a responsabilidade que o assunto requer.

O lixo produzido na cidade era jogado na zona urbana, precisamente por trás do prédio do Fomento Agrícola, na Rua Afonso de Carvalho, logo após o mercado da carne e final da Rua Ubaldo Malta, isto é, no centro da cidade.

Quem não lembra que antes existia a carroça do lixo, puxada por um boi que sob a voz de Zé Grilo, Mané Moco e Bié, carreava tudo para aquele aterro que era queimado, cuja fumaça exalava um mau cheiro horrível. O ambiente era tomado por ratos e baratas e muito doentio para os habitantes da área. 

Posteriormente, a prefeitura deslocou o lixão para a o Sítio Capim Assú, que também não resolveu o problema devido haver muitos habitantes naquela zona rural. Tiveram que mudar para um local mais distante, localizado na caatinga, depois da Placa de Guilé ,onde funciona até hoje, continuando entretanto, sem obedecer as  regras exigidas pela Lei supra mencionada. Tudo isto, no entanto, não foi suficiente para que parte do lixo continuasse a ser depositado atrás do fomento agrícola, onde continua a ser queimado e que continua a incrementar algumas viroses e alergias aos moradores das artérias que o rodeiam.

A obrigatoriedade de aterros sanitários municipais era evidente, todavia, facilita para que os municípios se organizem e criem um aterro. Por exemplo: Mata Grande, Canapi podem se organizar e criar um aterro comum aos dois municípios em um local que facilite o escoamento.

Nota-se que os gestores não assimilaram o disposto na nova Lei, mesmo por que, algumas mudanças de caráter profundo os afetariam, quer em rentabilidade financeira, quer com o empreguismo generalizado, afora, os aborrecimentos que a população por certo criaria, já que não possuem a devida orientação quanto ao acondicionamento do lixo caseiro.

A Lei é de 2010 e deu um prazo de quatro anos para que os municípios se organizassem. Estamos em 2016 e a lei ainda não é cumprida, não obstante o prazo e a disponibilização de recursos federais.

Hoje li na Gazeta de Alagoas que haverá fiscalizações e acho que se não houver multas os prefeitos  continuarão a ignorar a citada lei. Leiam parte da reportagem publicada:



“Nós agora temos um elemento novo para lidar na discussão sobre o descarte de resíduos sólidos. Nas edições anteriores da FPI do São Francisco, não havia alternativa para os lixões. Agora ela não só existe, como também está em operação. Há municípios que passarão a despender menos de R$ 100 mil com a manutenção do consórcio quando antes gastavam mais de R$ 1,5 milhão com coleta de lixo. O comportamento irregular sai mais caro do que o regular, com a possibilidade de aumentar os investimentos em coleta seletiva dos resíduos e, consequentemente, o número de empregos”, explica Alberto Fonseca.

O promotor de Justiça lembrou que os gestores públicos, ao descumprir a Lei nº 12.305/10, poderão cometer delito pela disposição irregular de resíduos sólidos e por fazer funcionar empreendimento “comprovadamente” poluidor, como o são os lixões.



Política Nacional de Resíduos Sólidos



A edição da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos e alterou a Lei n. 9.605/98, dispondo sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis.

A Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos estabeleceu um prazo de quatro anos, ou seja, até 2014, para que todos, inclusive os municípios brasileiros, implantassem a disposição final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e rejeitos. ”

Como se vê no início de parte da matéria publicada, surge um elemento novo para lidar com a discussão para a aplicação da Lei, levando a crer que novos anos passarão para a implantação da lei que inúmeros benefícios trarão a população, inclusive com a criação de uma Cooperativa para reaproveitamento dos resíduos sólidos.

sábado, 3 de setembro de 2016

EDUCAÇÃO





A educação deve nascer no berço e prosseguir com o aprendizado na escola devido ser necessária para o desenvolvimento pessoal. Os países que investem em educação tem o seu potencial na escala mundial porque  conseguem se sobressair tanto no campo financeiro como no campo social, haja vista que  os países que não investem  na educação ficam sempre  na qualificação de subdesenvolvidos.

Educação engloba os processos de ensinar e aprender. É um fenômeno observado em qualquer sociedade e nos grupos constitutivos dessas, é responsável pela sua manutenção, perpetuação, transformação e evolução da sociedade a partir da instrução ou condução de conhecimentos, disciplinamentos  e doutrinação  às gerações que se seguem, dos modos culturais de ser, estar e agir, necessários à convivência e ao ajustamento de um membro no seu grupo ou sociedade, ou seja, é um processo de socialização que visa uma melhor integração do indivíduo na sociedade ou no seu próprio grupo.

Enquanto processo de sociabilização, a educação é exercida nos diversos espaços de convívio social, seja para a adequação do indivíduo à sociedade, do indivíduo ao grupo ou dos grupos à sociedade. Nesse sentido, educação coincide com os conceitos de socialização e endoculturação, mas não se resume a estes. A prática educativa formal — que ocorre nos espaços escolarizados, que sejam da Educação Infantil à Pós Graduação — dá-se de forma intencional e com objetivos determinados, como no caso das escolas. No caso específico da educação formal exercida na escola, pode ser definida como Educação Escolar.

De acordo com a UNESCO[1] a educação também é exercida para além do ambiente formal das escolas e adentra em outras perspectivas caracterizadas como: educação não formal e educação informal. Segundo a organização, a partir das Conferências Internacionais de Educação de Adultos - CONFINTEA [2] compreende-se por educação não formal todo processo de ensino e aprendizagem ocorrido a partir de uma intencionalidade educativa mas sem a obtenção de graus ou títulos, sendo comum em organizações sociais com vistas a participação democrática. E educação informal como aquela ocorrida nos processos cotidianos sociais, tais quais com a família, no trabalho, nos círculos sociais e afetivos.

No caso específico da educação exercida para a utilização dos recursos técnicos e tecnológicos e dos instrumentos e ferramentas de uma determinada comunidade, dá-se o nome de Educação Tecnológica. Outra prática seria a da Educação Científica, que se dedica ao compartilhamento de informação relacionada à Ciência (no que tange a seus conteúdos e processos) com indivíduos que não são tradicionalmente considerados como parte da comunidade científica. Os indivíduos-alvo podem ser crianças, estudantes universitários, ou adultos dentro do público em geral. A educação sofre mudanças, das mais simples às mais radicais, de acordo com o grupo ao qual ela se aplica, e se ajusta a forma considerada padrão na sociedade.

OBS.: Desconheço o autor.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

OS VIZINHOS - Germano




Nasci e vivi em Mata Grande até os vinte e oito anos de existência, durante o tempo de solteiro os nossos vizinhos tornavam-se amigos e alguns com consideração acima da normalidade, haja vista, a amizade que perdura entre os descendentes até os dias atuais.

Existiu um vizinho que foi embora lá pelos anos sessenta e nunca esqueceu Mata Grande. Retornou algumas vezes, alimenta um site na internet onde tem uma parte dedicada à nossa terra. Chama-se Walter Medeiros e hoje é cidadão matagrandense, título outorgado pela Câmara Municipal.

Seguindo o exemplo da minha mãe, quando me desloquei para trabalhar em terras estranhas contraí amizades sinceras com os vizinhos onde até batizamos meninos que continuam com estreita relação de amizade e consideração, após o falecimento dos seus genitores.

O que chama a atenção é o convívio dos vizinhos nas grandes capitais onde quatro ou mais apartamentos em um mesmo andar cujas famílias, na maioria das vezes, si quer dão um bom dia.

Desconhecem que, em caso de uma emergência o vizinho que se torna um amigo estará sempre pronto para ajudar e que, a pior pessoa do mundo pode dar uma guarida melhor do que um desconhecido ou inimigo.

As pessoas nascidas no interior, normalmente, são mais afeitas as amizades com os vizinhos. Outro dia aqui na Capital fui cumprimentar um cidadão que era da zona rural e ao apertar a sua mão ele falou: Interessante, somente a gente do interior sabe o significado de se cumprimentar apertando a mão do outro.

Observando os demais cidadãos capitalistas, vejo que somente alguns tem o hábito, normalmente, acenam com a mão ou mesmo, os mais jovens criaram o método de tapinhas ou socadas com os punhos.

Afora isto, ainda na capital, durante a missa a pessoa que está ao seu lado não olha e, quando na hora da saudação, chama os vizinhos do lado, de trás e da frente até de irmão, normalmente, com um largo sorriso. No dia seguinte, ao encontrar, em uma calçada ou mesmo, na orla, caminhando, passa a ser um mero desconhecido.

Face  ao exposto, que tal adotar o costume de dar um bom dia, alguns não vão responder, porém, uma maioria vai vibrar internamente pela consideração e apreço.








quinta-feira, 25 de agosto de 2016

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO - Ubireval Alencar




Como eram possíveis a vida e a comunicação num interior do sertão subnutrido e emagrecido pela intempérie das secas? Seria um longo documentário, mas fiquemos com a comunicação, os meios frequentes a que era forçada a moçada da cidade, crianças ainda na lenta evolução intelectual e disciplinar. Aqui o esboço apenas de um retrospecto memorialístico, em busca do tempo perdido da infância, adolescência de alguns e maturidade dos que não se empenharam à procura do desenvolvimento maior, na cidade grande.

Não havia o whatssap, o PC, o notebook. Fabricávamos um whats-de-rua, corpo a corpo, perambulando quais moleques soltos pelos arredores, ora em furtos leves nos pés de mangueira, cajueiro, ora invadindo terrenos à cata da pinha, goiabas e congêneres. E tudo na mais santa pureza da menoridade, sem ainda a presença de pedófilos - a praga futura da modernidade, molestando crianças, meninos e meninas. Ocupávamos nosso tempo livre, passadas as horas do Grupo Escolar Demócrito Gracindo, a correr ladeiras, tomar banhos no Cumbe  e no açude do Monte Santo, repleto de rãs e gias. Só na semana santa se dava a subida do ponto mais alto em busca do manuê.

Crianças felizes sem os atuais aplicativos dos celulares e imediatez, vivendo o mais autêntico papo de com todos nos comunicarmos, sempre encontrando nos apelidos da terra a forma mais rápida de referência: Maria Moca, Chica Rato, Zé Doido, Pereirinha, Carmó, Júlia Gringa, Porongas do cego Vicente. Havia biguzeiras contumazes, na passagem dos carros-de-boi pelo centro da cidade, deles se utilizando como atrativo momentâneo na circulação pelas tortuosas ruas curtas. O boi de Zé Grilo era o táxi da época de toda molecada, rua acima, rua a baixo.

Havia figuras notórias no modo de levar recados, avisos. Icleia Malta percorria as calçadas altas como se fosse bala perdida. O singular Palito ganhara apelido por não soltar o palito da boca, pós refeições. E nos faz falta o homem dotado de especialidade e com empolgante oratória, mas sempre presente à passagem das procissões festivas. O solitário Vilar (filho do seu João Vilar) se punha na parte mais alta do calçamento, na boca da Rua Nova, ora a declamar o poema do alumbramento de viver, ora a empregar falas de ativista de grande contundência local. Entre cânticos e hinos das devotas, soava a voz do homem ensimesmado na existência terrena.

Onde andam os jumentos com ancoretas, carroças, e galões d´água no ombro do carregador diário, rotineiro, no abastecimento das residências? E a feira comprida de sábado ocupando toda rua de Baixo (Ubaldo Malta), recheada de víveres, frutas, verduras  e mantimentos trazidos das serras e localidades circunvizinhas? Pompílio Gomes vivia postado em frente a sua residência, na conferência dos habituais compradores de sacolas recheadas pra toda a semana. Os que já rumaram para outras cidades e sudeste do país sentem falta das rapaduras, dos alfenins, lá mesmo degustado como se fosse o "coffee break " das manhãs. Galinhas, capões, carneiros e cabritos só eram encontrados lá nas proximidades da padaria de Seu Panta e dos negócios com couros, do Agnelo Bobinha.

Havia um musicista de instrumento de sopro, de nome Mestre Fedor, cuja esposa era professora no grupo. Teresinha tocava aos domingos no órgão envelhecido da paróquia. Resistia pelas calçadas como se fosse alma ambulante. E o filho Paganini vivia também essa Ópera da existência louca. Hoje resta um grande silêncio no alto-falante de Zé de Doro. E Júlia Gringa não mais recebe nas caladas da noite seus habituais visitantes solteiros, e também casados dissolutos na leviandade de gozar a vida. Apagou-se a figura excêntrica e de vida alternativa que não pisava o calçamento irregular, mas por ele desfilava, cônscio da sua vida alternativa, e de alongados olhares para os belos mancebos em que a cidade sempre foi pródiga, geração a geração. Zé Davi passava indiferente aos xingamentos, vaias e assobios da rapaziada preconceituosa e mal versada na aquilatação dos reais valores humanos. No insulto e cuspo despejado sobre ele, na verdade vomitavam sua própria miséria moral e social.

Aos sábados a riqueza dos figurantes de fora era mais comemorada. Lá de Poço Branco vinha a fazendeira Condinha - renomada pela ostentação de lindas e originais joias em ouro e brilhantes. Marilyn Monroe a invejaria no retumbante batom vermelho, cujo sorriso abrilhantava com dentes recobertos de ouro. De Inajá, Santa Cruz, Inhapi e Canapi se acotovelavam caminhões e caminhonetas abarrotadas de feirantes, sobretudo quando o ano de chuvas deixava apojados os açudes e fértil a plantação. O vento chuvoso e friorento eram as bênçãos vindas dos céus, patrocinando mais um ano de prosperidade e bons negócios em toda redondeza.

Mas desmoronaram os solares do Seu Manezinho (Manoel Martins) e de Mariita. Dona Lizete não mais faz canções improvisadas para as lindas moças habitantes do solar imponente. No térreo, o variegado sortimento de tecidos, couros e arreios à venda, e sustentáculo da educação dos filhos, em estágios e cursos nas cidades grandes. No andar superior, o confinamento e organização das belas moças, sempre requintadas em apresentação e bom gosto. E não se ouvem mais os chamados de "priminho pra cá, priminho pra lá".

Um cortejo conduzindo um enterro acomodado em rede doméstica e singela revela mais um assassinato na redondeza, silenciando por momentos os bebuns do bar de Noca e de Dinô. Cassaco do bar ainda não havia sido assassinado por ter língua solta. Renato de Vieira viveu esse extremo de provocar sua tragédia por um ente familiar, zombando da vida, de si, e do mundo. E na madrugada dos bailes e festanças não mais acontece a procissão de pés descalços dos frequentadores do clube PAZ E AMOR, quando os cansados festeiros e festeiras são forçados a retornar, sobretudo elas, com saltos dependurados nos dedos, vítimas de calos e pisão dos pares dançantes.

O dia seguinte aos festejos na cidade, ou na trivialidade do dia-a-dia, é motivo de reunião do simbólico Senado de membros  que se alinham no entorno das escadarias da Prefeitura. Um a um vêm chegando os eternos desocupados e ociosos costumeiros. À época, Paulo Ricardo, Renato de Vieira, Levi, Bem-te-vi, Zeca Bernardino, Ismar, Tonho Malta, Deliro e outros que se somam aos poucos e iniciam a confabulação crítica dos fatos, episódios e pessoas que foram notoriedade na semana. Raros casos por atos de brilhantismo.

 Mais pelo motivo jocoso e depreciação de pessoas. O tom de piadas é o mais forte e picante, impróprio para menores. E assim passam horas na mesmice do falatório até o instante em que um convite para boas "lapadas" da serra-grande, pitu se efetiva. Lá, na esquina da câmara viva e natural do olho humano e míope, deságuam mágoas, injustiças presumidas, e se dão as mãos na mediocridade de viver.

Mas permanecem ressoando como sinos de catedrais a devoção e denodado esforço das professoras primárias. Desde os que alcançaram Dona Argentina Fortes (mãe de Cristiniano, ex-prefeito), Dona Lizete já introdutora de áudio-visuais e que entremeava as explicações de aula com canções de entusiasmo ao estudo e à dignidade da vida ("quem trabalha/ persevera/ nunca é tarde/ sempre espera./ Mocidade é esperança/ mocidade é primavera./ Quem trabalha sempre alcança". A professora Anunciada, galardão de responsabilidade e diretriz educativa, as professoras D. Eva Bezerra Brandão, Vanda Pantaleão, Josefina Canuto, Nina Pinto foram marcos sucessórios na devocional vocação do magistério. Repicam em nosso cérebro, na memória local, como fontes cristalinas de modelo de aprendizagem, dedicação e ternura para os mais compadecidos e carentes. Urbano Malta e Suely Malta tiveram esse aconchego maior na traumática condição de sobreviver à perda dos seus entes queridos.











   




terça-feira, 23 de agosto de 2016

DESPEDIDAS - Walter Medeiros








Despedidas



--- Walter Medeiros



Que força têm em mim as despedidas,
 Parecem a essência mesma da vida,
 Consolidando o que me deu guarida,
 Quantas despedidas já vividas.


Despedir-me é transitar para a saudade,
 É perder um pouco aquela liberdade,
 É descobrir o exercício da bondade,
 É sofrer com o momento da verdade.


Nas minhas despedidas fui um dia
 Morar longe do chão de Mata Grande,
 Cidade encantadora, que foi onde
 Vivi dias de infância e alegria.


Depois, fui despedir-me de colegas
 Que comigo tantos anos estudaram
 E ao fim seus rumos então tomaram
 Cada um com uma decidida entrega.


Veio um dia a despedida da caserna,
 De onde guardo uma lembrança eterna,
 Pois ali tive convivência tão fraterna,
 Foi também uma idade muito terna.


Despedi-me depois daquela tia,
 Do avô, avó, do pai, da mãe,
 Não há o que na despedida ganhe,
 É sempre como um triste fim-de-dia.


Foram tantas despedidas pelo mundo,
 Que já tive algum dia de encarar,
 Que pareço calejado pra encontrar
 Pela frente minhas novas despedidas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A ELEIÇÃO VEM AÍ - Germano






Aproxima-se um novo período eleitoral e volta a dúvida sobre a confiabilidade das “urnas brasileiras”. Quem não lembra dos rumores ocorridos nas eleições passadas? Eleitores que afirmaram ter votado em um candidato e aparecido a foto de outro. Em alguns Estados da federação, o candidato que era disparado na preferência popular perdeu a eleição, enquanto que o opositor, considerado péssimo, foi eleito.

Leia o que escreveu Paulo Sergio Everdosa:



“Circula na internet um inquietante texto sobre o seminário “A urna eletrônica é confiável? ”, promovido pelos institutos de estudos políticos das seções fluminense do Partido da República (PR), o Instituto Republicano; e do Partido Democrático Trabalhista (PDT), a Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini.

Acompanhado pelo especialista em transmissão de dados Reinaldo Mendonça e pelo delegado de polícia Alexandre Neto, um jovem hacker de 19 anos, identificado apenas como Rangel por questões de segurança, mostrou como (através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade técnica da empresa Oi) interceptou os dados alimentadores do sistema de totalização e, após o retardo do envio desses dados aos computadores da Justiça Eleitoral, modificou resultados beneficiando candidatos em detrimento de outros – sem nada ser oficialmente detectado.

Esse depoimento do hacker vem alimentar as suspeitas do Brizola quando da eleição presidencial de 1989, ocasião em que o Lula foi para o segundo turno com o Collor por uma diferença mínima de votos. Na época, o Brizola requereu recontagem de votos o que foi rechaçado pelo presidente do TSE, sob o comando do “insuspeito” Francisco Rezek que, em seguida à apuração do segundo turno da eleição, largou o cargo vitalício de ministro do STF para assumir um ministério no governo Collor. Depois de algum tempo no cargo, saiu do governo e foi renomeado pelo Collor de volta ao STF!

Tive informações à época de que o complô foi urdido com apoio do Doutor Roberto Marinho e do ACM, que era ministro das Comunicações do Sarney e sócio do Doutor RM. O plano era emplacar o Afif. Como o Afif não decolou, aderiram ao Collor. Não poderia ser o Brizola pelos motivos mais do que óbvios!

Estranhamente, durante a transmissão dos dados do primeiro turno da eleição presidencial de 1989 do TRE de Minas Gerais para o TSE de Brasília, houve uma “pane” no sistema, como que para dar tempo ao dimensionamento da fraude.



400 mil votos foram necessários para levar o Lula para o segundo turno, porque o candidato do PT poderia ser abatido com mais facilidade pelo esquema que já possuía no bolso do colete o escândalo da Miriam/Lurian (ex-namorada e filha de Lula).



EXEMPLO DA ARGENTINA



O Brizola pediu o apoio do Lula para pressionar o TSE a conceder a recontagem argumentando que há pouco tempo houvera fato semelhante na Argentina, onde a recontagem manual apurou uma diferença em relação à eletrônica bem superior à diferença verificada na eleição brasileira. Lá não houve mudança na classificação dos candidatos porque a diferença apurada não foi suficiente para alterar a classificação.



Na eleição brasileira, entretanto, a diferença entre o Brizola e o Lula, salvo engano, não chegava a 0,5%. O TSE não admitiu a recontagem. Registre-se que, antes da eleição, a Globo promoveu um Globo Repórter sobre a vida do Rezek, com o fito explícito de construir uma credibilidade que seria necessária para dar força às providências que ele teria que tomar no curso da sua presidência do pleito.



Para conferir o texto sobre o seminário, basta buscar no Google o título Hacker de 19 anos revela no Rio de Janeiro como fraudou eleição.”



Já Amilcar Brunazo Filho, disse que :

 “O modelo de urna usado no Brasil é ainda de 1ª geração,  conhecida como DRE (Direct Recording Electronic voting machine), onde os votos são gravados apenas em meio digital eletrônico (e regravável) de forma que nem o eleitor pode conferir se seu voto foi gravado corretamente e nem os fiscais de partidos podem conferir se foi somado (apurado) corretamente”, disse em entrevista a este blog.”

“É um absurdo votar num sistema que não lhe permite conferir para quem seu voto foi gravado”, estabelece. Todos os países que já adotaram o sistema de urna eletrônica empregado aqui no Brasil, nas últimas eleições, já o abandonaram, por seu alto grau de adulteração, explica o engenheiro Amilcar Brunazo Filho.”

O que dizer então das urnas que são disponibilizadas para o nosso Estado, haja vista, os rumores comentados nas calçadas, levantando dúvidas sobre os verdadeiros resultados, tendo em vista as discrepâncias existentes entre as pesquisas e a apuração final?

O eleitor que verificar alterações no sistema não deverá aceitar as argumentações dos dirigentes na seção e sim chamar as autoridades competentes para a verificação na hora.  Deixar para ficar comentando nas calçadas o acontecido , não resolve e a coisa vai continuando no decorrer dos anos.