sábado, 18 de outubro de 2014

SANTA CRUZ DO DESERTO - Germano







SANTA CRUZ DO DESERTO –Germano



Importante e sensacional descoberta sobre  Santa Cruz do Deserto foi efetivada e publicada em seu blog  pelo escritor alagoano Etevaldo Amorim, que é alto funcionário da Secretaria da Agricultura deste Estado. No início da carreira profissional ele trabalhou em Mata Grande como extensionista  rural da antiga EMATER, daí seu apego por nossa cidade. Pelo visto, acredito que tenha estudado em Satuba ., onde existe  a escola agrícola formadora de excelentes profissionais.

A sua publicação trouxe a tona a lembrança de alguns homens que fizeram a  história recente daquele importante Distrito, entre eles, lembro do Sr. Genésio Martins, Antonio Barbosa da Silva, José Paulo,  Dedé da farmácia, José Cipriano, Antonio Cipriano e tantos outros que a memória no momento falha.

Santa Cruz do Deserto hoje já deveria ser cidade e para isto, tem grande potencial tanto na parte comercial como na agropecuária. Acredito que, com o término do asfalto, cujos serviços estão em andamento, o seu  desenvolvimento passe a ter passos galopantes.

Santa Cruz do Deserto é tão antiga quanto  Mata Grande, e isto é o que achei interessante, leia a seguir o texto publicado no  BLOG DO ETEVALDO:



Por Etevaldo Amorim


Durante o curto período em que exerci a função de Extensionista, na antiga EMATER, tive oportunidade de ministrar um curso de formação num pequeno vilarejo do município de Mata Grande: Santa Cruz do Deserto. Ali, na pequena capela, diante de um grupo de agricultores prejudicados pela seca, tentava incutir em suas mentes algo de técnico, como era do meu ofício. Lembro-me de, ao final, uma mocinha vir me entregar um papel, uma folha de caderno. Ali ela escrevera, em nome de seu pai, pobre agricultor, um relato dramático da sua situação, que era, na verdade, comum a todos.

Nas reuniões, no Escritório Regional em Santana do Ipanema, os colegas faziam chacota, achando engraçado aquele nome. Santa Cruz do Deserto... Pleno sertão, no caminho entre Mata Grande e Água Branca, antes de subir a serra. Muitas vezes passei por lá a caminho de Delmiro Gouveia, onde respondi, por menos tempo ainda, pelo Escritório Local.

Hoje, vendo um exemplar do Jornal do Penedo, edição de 25 de janeiro de 1879, encontro uma nota de alguém que se assina com o pseudônimo de “S.”, revelando como se fundou a capela daquele lugar. Como sei que muitos, talvez, não terão a oportunidade de ler, transcrevo a seguir:


“Lá, em um sítio solitário, quatro léguas acima da Mata Grande, Santa Cruz do Deserto é a primeira terra que se oferece aos olhos do que sobe de Terra Nova.

Quem sobe deste lugarejo, virando as costas para o sol, no fim de três léguas, a Norte de Pariconha, as eminências abaixando-se, retraindo-se, avista uma fita de terreno fértil e vicejante, assombrado de frescos arvoredos, qual é a planície abençoada da Santa Cruz do Deserto.

Em meio duma catinga esfarelada e rasa, entre serras que se arredondam, cingindo-a, o viajante pasma diante do espetáculo daquele sítio aonde se comove e exalta a cada passo.

É justamente o ponto mais vistoso deste sítio ameno e risonho que a piedade dos fiéis, muitos anos há, venerou, construindo uma capela, ou santuário, ornada de um só altar dedicado à Santa Cruz.

É célebre a história deste santuário, tão visitado pela devoção dos peregrinos, tão falado pelos seus grandes milagres.

Uma pia e velha tradição sustenta que, durante o ano de 1793, o famigerado Frei Vidal¹, que percorria a Província pregando e fazendo boas obras, descansou naquele ermo, então viçoso de ricos cedros e vistosos pereiros, cuja flor balsâmica recendia com fragrância a largo espaço.

Antes de prosseguir sua marcha, em memória da sua passagem por ali, mandou juntar duas achas de tosco e tortuoso cedro em forma de CRUZ e, benzendo-a, fincou-a no chão, ao lado esquerdo do atalho que dá para a Mata Grande.

Não muito depois do ano indicado, enfermo e desconfiado dos remédios da medicina, um rústico lembrou-se de invocar e abraçar-se com a valiosa proteção da SANTA CRUZ DO DESERTO. Sucedeu como a esperança lho prometia; porque, no mesmo instante, desapareceu o mal e voltou-lhe a saúde. Para logo o camponês fez cobrir a Santa Cruz, até então posta ao desabrigo, com uma pequena casa de oração.

Mais tarde, a primeira Família da Mata Grande, no seu tributo religioso, mandou construir ali uma Capela, que é a que ainda hoje existe.

Tal é o resumo da história do santuário, em que a reverência dos peregrinos, no ardor do seu entranhado reconhecimento, sagrou a sua memória dos grandes prodígios da SANTA CRUZ DO DESERTO, estampados nas paredes laterais e atulhados à direita e à esquerda da porta principal.

Contemplar aqueles testemunhos, tão eloquentes na sua mudez, é decerto exultar de alegria e ao mesmo tempo bendizer o símbolo sagrado da Redenção.

Ainda hoje, que tantas ruínas atestam a assolação carregada das iras celestes, que passou por cima das povoações vizinhas, ainda hoje SANTA CRUZ DO DESERTO como que só existe para nos apontar o que era e o que é: um padrão de glória.

Ontem, como hoje, no século que já lá foi, como no em que estamos, a Santa-Cruz do Deserto não foi invocada inutilmente. Esta é a razão por que, a cada passo, está sendo visitada por todas as classes e estados.

Ali o Cristo sincero exclama comovido:

—Senhor, Rei da Cruz, tenho fé; ajudai a minha fraqueza!

Ali os crentes simples de coração se consolam na doce esperança de que a suma retidão pagará as tristezas e trabalhos da vida presente com as venturas perenes, afiançadas aos justos e fiéis.

Ali os corações devotos se abrasam no incêndio do amor para com AQUELE que se sacrificou por nós nos braços dolorosos da CRUZ.

—SALVE, ó CRUZ, esperança única!

—SALVE, verdadeira árvore da liberdade!

—SALVE, manancial de salvação e de GRAÇA!


Baixa do Meio, 10 de dezembro de 1878.


S.”

¹
O nome desse frade é Vitale de Frescarolo. Andou pelos sertões do Ceará, Pernambuco e outros

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

MATA GRANDE TU AINDA TEM? - Daniel Malta


 
 
 
 

MATA GRANDE TU AINDA TEM? – Daniel Malta

Oi Mata Grande, minhas lembranças andam meio esquecidas e hoje queria te fazer uma pergunta tu tens ainda as tuas ladeiras maravilhosas? O Padre Aluísio ainda reza suas missas na igreja mais linda do mundo, a igreja azul e branco que quando eu olhava para sua torre dizia será que bate no céu,? O piso da igreja é do mesmo jeito? Com os desenhos brancos e vermelhos, e as pilastras enormes que às vezes os pais colocavam as crianças ali, porque nos seus bancos de madeira já não cabia mais, Tem as portas grandes na frente e nas laterais? Que quando criança ficava entrando e saindo entre uma e outra, D. Lourdes ainda toca em seu teclado? Ainda solta os foguetes feitos por seu Dário e D. Flora ao lado da igreja e nas festas? tem a banda de pífanos quê ficava sentada em um banco na frete da igreja, tu ainda tens Mata Grande?

Ainda tens a estátua de Nossa Senhora da Conceição na praça da rua de cima? que eu perguntava como fizeram ela ? Como ela é grande! E seu Benedito ainda faz a charola da procissão? Tu tens as ruas de calçamento fazendo os Toc Toc quando os cavalos passam, tens ainda a esquina de Merinho, a venda de seu Joaquim e de dona Socorro Binga?, Tem o Posto de Cristo e o Posto de seu Zé Maria? Tem o fotógrafo seu Aloízio e a loja de seu Luiz Brandão? Tem a sorveteria de Tio Jari e o Bar de Seu Noca, Bar de Cassaco, Bar de Luiz de Beja, Bar de Evilásio, Bar do Gago, e a sinuca de seu Dinô, tem o fomento? O mercado da farinha e o Paz e Amor? Está tudinho ai Mata Grande?

A cadeira de balanço de Tio Feitosa está no mesmo lugar em sua porta e o charme de Tio Rubens com seu terno branco ao sentar na praça aos domingos? Seu Miguel de Sula o grande fiscal da prefeitura que sabe atender bem a todos, Alceno Alfaiate, Pedro Rosa o vigilante da praça, Bié de Dorá e o mestre Zé Charito e seu Vida ainda tem aquele cachorro? O delegado Leopoldo e o eterno defensor das pessoas carentes Manoel Roberto, Temista Boêmio, Pé de Ferro, Zivaldo e seu Mané Cumbá ainda tem aquele carro dele preto, é uma verdadeira obra de arte. Pedinho de Lourenço ainda é motorista? E seu Antônio de Rodrigues, Agnelo Bobinha, seu Antônio Barbosa figura ilustre e Zé Coqueiro e minha amiga Rivanda por onde andam, me diz Mata Grande.
Tem a escola Cenecista Félix Moreno com sua quadra de esporte,que jogava o vasquinho, o serrano, cruz de malta e os casados e solteiros, tem a escola Demócrito Gracindo e a escolinha de tia Alba? As professoras Josefina, Edite, Juvina e D. Francisca estão a ensinar ?
Tem Duda e Joaquim Preto que carrega água das fontes da Pipa, João Félix, do Ripitete de João Lalau e a nossa fonte do Cumbe, todas estão ai? A fazenda de seu Antônio Cândido com a beleza da água a sua porta, a represa do posto de Cristo continua a segurar as águas? A nossa praia do Morro Vermelho está ainda a fazer as alegrias nos finais de semana?

E Jabiú ainda toca seu Violão, e as figuras que nós crianças corríamos de medo como Pereirinha, Heleno e tinha outros que fazia a cidade mais alegre Zé Doido, Panga, Taioba, Pirú Baixeiro e seu pai seu Vicente, e será que Quitéria gaga ainda fala muito?

A rádio Oásis do Sertão ainda está no Ar, com a locução de Zé Adalto e a voz FM de Mufulá?
 
Tem as antenas da Microondas e o Monte Santo com sua Cruz e a maravilhosa Serra da Onça com sua igrejinha que de todos os cantos da pra ver? E a serra de Santa Cruz realmente é a mais alta do nosso Estado?

Tem a feira dia de sábado, e seu Valdir marchante fornece a carne para o almoço gostoso que os feirantes fazem com suas delicias, tipo sarapatel, porco, galinha, bode e buchada, as panelas de barro, as frutas e verduras de uma gostosura só está na Feira? e Arlindo? ainda fazendo seus motes e seu Pompilio Gomes com sua banca? o pessoal corta o cabelo em seu Severino? Tem as D20 que traz todos pra feira e leva ao final de tarde, tens os vários povoados, tem os jumentos com suas cangaias e os carros de boi?

Tem a Prefeitura no mesmo lugar e a Cadeia Pública, a Assembleia de Deus Azul, da cor do Céu, que fica na ladeira do hospital, tem o carro de viagem de seu Moacir? E o caminhão de seu Luiz Gaia? Tem a melhor manga rosa de todos os locais? Tem o puxa-puxa que vende no engenho de Dona Benedita? E o Alambique de seu Jonata e de seu Zequinha.? Tens a Rua de Baixo, a Rua de Cima, o Bom Sucesso, o Galo Assanhado, seu Zé Bezerra continua na Rua Nova e seu Mané Tributino mora no Mandacaru e a alegria da batalhadora Noêmia e Zé Boi da ladeira do Cumbe estão lá? Tem a farmácia de seu Dalvino? E o Supermercado de “G”? , tem o sol causticante e o friozinho da noite, tem a brisa do sertão? Está tudo no mesmo lugar Mata Grande?
Nas festas de Final de ano tens o parque de diversão com seus barcos que ia até o alto e uma prancha para parar, tem o forró nas garagens e as barracas que são montadas na rua? Cicero Livino ainda toca sua sanfona e Boleiro ainda toca seu trombone? seu Nezinho Barbosa ainda faz seus aboios? e Linda faz seus Bolos, Dona Zefinha vende seu puxa-puxa  e Francisca faz seus sequilhos? E as padarias de seu Odilon, Pedro Barbosa, seu Panta e Quinquinha que era um bom jogador de dominó, o parquinho que eu brincava na ladeira de João Félix, ainda tem tudo isso Mata Grande?
E minha Vó Lourdes em seu Cartório e meu avô Dumuriez que ficava na janela vendo a procissão passar sempre no primeiro dia do ano, continua a abrir a janela da casa de minhas alegrias?

E Mata Grande me respondeu.... está tudinho aqui os locais, as pessoas, algumas já se foram, mas o coração destas pessoas estão aqui, mas sinta meu perfume, sinta as alegrias e as coisas boas que temos aqui e quando você estiver sentindo falta de tudo isso, feche os olhos e novamente volte aqui.
Obrigado Mata Grande por Você Fazer parte de Minha Vida!

Daniel Malta.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A OBRIGATORIEDADE DA VELHICE- Germano

A OBRIGATORIEDADE DA VELHICE- Germano

Passei  dos cinquenta sem notar. Já estou beirando os setenta decidindo pelo amadurecimento das ideias, sem, contudo, aceitar a obrigatoriedade da velhice. Cursei o período da adolescência  me preparando para a idade adulta sem notar. Passei pela fase do labor profissional sem me preocupar com o tempo.

 Agora, na fase da envelhescência, (fase preparatória para a velhice continua), permaneço  teimoso e sonhador. Sei que se parar de sonhar naturalmente  tornar-me-ei um velho. Os desafios são constantes e tento evoluir me adaptando as mudanças, aceitando as transformações que a vida moderna impõe.

Gosto de fazer parte do grupo das pessoas de alma leve, que acumula sabedoria e transmite aos semelhantes ensinamentos sadios, onde a possibilidade de superação é possível em todas as situações. Pessoas que olham o universo, são felizes ao ouvir uma boa música,  ao receber o abraço de um colega na presença dos netos. São gratas pelo sol, a lua, as estrelas, a chuva, a terra molhada, a primavera, o verão, o outono e o inverno. Colhem a rosa vermelha da paixão todos os dias e nem sentem as picadas dos espinhos protetores. Pessoas que são sábias e não podem nunca serem chamadas de ingênuas, pois sábios são os que conseguem ser felizes. Para estas pessoas  ter sessenta anos é pouco para o muito que desejam realizar; é pouco para realizar seus sonhos. Pessoas que quando morrerem levarão no rosto a expressão da ternura e seguirão tranquilos, levando ainda consigo um punhadinho de utopia, para que esta rasgue a terra em sua prenhes e germine.(Fonte: Adaptado de A Notícia).

Quiçá, possa assim permanecer durante toda a nova fase que tenho a obrigatoriedade de aceitar. Que seja uma velhice com  saúde e dignidade! Desde já, agradeço a Deus, o Grande Arquiteto deste maravilhoso Universo!


terça-feira, 7 de outubro de 2014

A NOSSA DEMOCRACIA- Germano

 
 

Durante a missa no dia da eleição comecei a ler o verso  do jornal  dominical   O DOMINGO.  Algumas  frases me chamaram a atenção, todavia, as mais interessantes escritas pelo Pe. Paulo Bazaglia, SSP  foram estas:
“... hoje no Brasil, dia de eleições Ecoa como advertência, sobretudo aos que assumem funções de liderança e responsabilidade.
Procuram-se líderes  autênticos, responsáveis e preocupados com o bem do povo. “Líderes que conduzam o povo a um protagonismo que não o deixa entregue à sorte, mas constrói um destino”
“Aos que exercem cargos de liderança em todos os níveis, sejam políticos ou religiosos, cabe o questionamento: qual fruto Deus espera de sua vinha? Como não se corromper pelo poder, mas servir responsavelmente ao bem coletivo?”.

O Brasil clama por líderes comprometidos com a ética e o desenvolvimento. Há algumas décadas houve um candidato que com uma vassourinha, tentou varrer  do País os mal intencionados. Recentemente, outro prometia acabar com os marajás. Insucesso total por parte dos dois. Outros, nos quais o povo acreditava, morreram precocemente sem ter a oportunidade de liderar. A nossa realidade é esta, não temos líderes democratas.

O governo faz acordos para continuar no poder e os legisladores criam leis nas quais asseguram  a sua permanência nos cargos.

No estado de Alagoas onde predomina o latifúndio, o analfabetismo e a violência, pasmem, nove deputados  tiveram mais votos do que um dos eleitos. Isto caracteriza a maioria da vontade popular?
A meu ver isto não é a vontade do povo. A democracia não  esta sendo cumprida, não constitui  a maioria absoluta.

Democracia é um substantivo feminino. Governo do Povo; soberania popular.

Acredito que, se houvesse uma eleição de cinco em cinco anos para preenchimento de todos os cargos, o País economizaria o equivalente a três eleições. Imagine a quantia de dinheiro desperdiçada para enriquecimento ilícito de alguns privilegiados que poderiam ser aplicadas para a melhoria da qualidade de vida  de uma grande maioria de  brasileiros.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O CHAPÉU - Germano


 

O CHAPÉU

Chapéu, s.m. Cobertura de feltro, palha, etc. com copa e abas, para a cabeça. Muito usado  antigamente pelos homens da alta sociedade.

O uso do chapéu atualmente está regionalizado com gostos diferentes. No norte, vem a lembrança  do tempo do primário no Grupo Escolar Demócrito Gracindo onde Seu Fulgêncio  montado em um boi no Pantanal era constantemente  comparado com o vaqueiro nordestino, só que não usava chapéu de couro e gibão. Na região sul ainda vemos o malandro carioca com o chapéu  de palhinha de cor branca, característica própria de quem frequenta as rodas de samba dos morros e adjacências.  Na região  centro oeste os homens costumam usar o chapéu grande, tipo do cowboy american
As diversificações são muitas, mesmo na região nordestina e dentro do nosso estado há uma grande   variedade.
Em Mata Grande usa-se muito o chapéu de massa, principalmente pelos homens mais velhos, o de palha de abas largas pelos agricultores para a proteção dos raios solares e o de couro que caracteriza o vaqueiro nordestino e ainda um de couro branco usados por habitantes do Distrito de Santa Cruz do Deserto.
Após a aposentadoria, face o aparecimento de melanomas, sou obrigado a usar chapéu e passei a ser visto de forma diferenciada. Os olhares de espanto são frequentes, pois até nas blitz policiais, eventualmente, mandam parar quando me avistam com o chapéu, é tanto que, naturalmente, o retiro da cabeça e não sou obrigado a parar.
No mês passado em Brasília fui assistir ao jogo do botafogo e fluminense, quando saí do estádio fui seguido por uma viatura policial. Parei logo adiante, eles passaram olhando, fizeram a volta do carro, passaram devagar e estacionaram logo à frente. Achei estranho, depois lembrei que estava de chapéu, por sorte o dono do carro que aguardava chegou e fomos  para casa.
Vale  lembrar que antigamente todos os homens usavam chapéus como adorno.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

SIM OU NÃO - Germano


 Brasília - DF., 17 de agosto de 2014.

É MELHOR DIZER SIM OU NÃO?

Esta semana a apresentadora Ana Maria Braga questionou as pessoas a respeito do tema : SIM ou NÃO  devido as dificuldades que muitas têm em dizer não.

Ora, responder afirmativamente é fácil e o interlocutor do pedido, obviamente, se sentirá agraciado. No que tange a negar a dificuldade atinge a maioria e, costumeiramente há  o sacrifício próprio por não ter a determinação em dizer não. Normalmente, se encontra uma forma com delongas e desculpas não condizentes, onde se procura convencer o solicitante da impossibilidade de atendimento do pedido.

Lendo  uma revista, deparei com a seguinte frase:

'' As duas palavras mais curtas e mais antigas, sim e não, são as que mais exigem  reflexão'' (PITÁGORAS, 582 - 500 A.C. Filósofo Grego).

Fazendo uma retrospectiva  normalmente, existe a assertiva em sacrifício próprio e de familiares, devido a incumbência de resolver problemas criados por outrem, os quais , no porvir, demonstram ser mal agradecidos.

Recordei que nos anos setenta ouvi um colega dizer:

''Germano, se eu tivesse quem resolvesse os meus problemas,  ficaria  sentado em uma cadeira de balanço, então, quem tiver os seus problemas... que resolva"

Acontece que o  colega tinha razão, todavia, quem tem facilidade e disponibilidade na solução dos problemas dos outros, não esmorece e procura ajudar.

Uma negativa, não tenham dúvidas é muito difícil de se dar e decepciona o pedinte, que muitas vezes se torna um adversário em potencial.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A ÁGUA - Germano


 

A ÁGUA - Germano

Brasília (DF), 14 de agosto de 2014.

A água é formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio é o famoso H2º, muito  abundante no planeta e especialmente em nosso País, pois o Brasil, perde apenas para o Canadá, onde tem muita água congelada. Ela favorece a vida em todos os sentidos, desde a formação da vida como também a evolução.

Existe mais ou menos  setenta por cento de água no planeta, embora seja a maior parte com muito sal, mas nos rios e lagos ela é potável. Existe ainda muita água na atmosfera e nos lençóis freáticos, afora as que estão em estado sólido, que constituem os polos da terra.

A água não é inesgotável como pensamos, a população mundial cresce assustadoramente e com ela o incremento do consumo e, inexoravelmente, tende a acabar. O Brasil tem bastante água doce, porém, já dá sinais de excassez em diversas regiões.

Costuma-se dizer que sem energia a pessoa consegue se sobressair, todavia, sem a água é impossível,  pois em todas as atividades depende-se da água, desde o acender da luz, da escovação dos dentes, do café ao lava a louça, portanto, ela é indispensável ao nosso modo de viver e, os humanos ainda não se deram conta que, a não utilização  de modo consciente  trará enormes consequencias no porvir.

Aqui em Brasília, lugar onde a água corre em abundância nos córregos existentes, devido aos incontáveis condomínios com seus poços tubulares, a excassez já dá mostras da falta de água no subsolo. Alguns já estão praticando o racionamento, demonstrando uma preocupação com o esgotamento dos mananciais.

No nordeste brasileiro, o sertanejo, acostumou-se a sua  inexistência, principalmente nos períodos de seca, ocasionadas pelo tão falado El Nino. O suprimento depende dos carros pipas. O sudeste, por sua vez, está atravessando a sua pior crise, devido a falta de chuvas que abastecem os rios e outros mananciais causando prejuizos incalculáveis a agricultura e as cidades.

Relembrando tudo isto, vem o caso das serras matagrandenses, onde existem várias nascentes,  duas delas  (Fonte do Cumbe e do Urubú) com capacidade de vazão extraordinária, pois superam os dez mil litros por hora em alguns períodos do ano. Lí no  jornal Cada Minuto de hoje que a Secretaria de Recursos Hidrícos do Estado está recuperando nascentes nas cidades de Mata Grande e Água Branca. Particularmente, sou proprietário de uma nascente que corria pela estrada e atualmente está sem água e como esta, muitas estão desativadas, quer pelo mau uso, quer pela seca que castiga a região. Quiçá, os poderes públicos possam recuperar indistintamente, sem os tradicionais apadrinhamentos políticos, todas as nascentes existentes.

 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

ENVELHESCÊNCIA - Germano


           

ENVELHESCÊNCIA  - Germano

Desconhecia totalmente a palavra, entretanto, lendo uns comentários  da jornalista Adília Belotti sobre uma crônica do escritor Mário Prata, onde a pergunta “VOCÊ É UM ENVELHESCENTE?”  chamou a minha atenção pelo fato de já ter adotado a palavra “SEXALESCENTE”  (mistura de sexagenário  com adolescente) para caracterizar uma nova fase da  minha vida , tão logo  ultrapassei  os sessenta anos.

Adília Belotti comenta que  adorou a crônica e veja  o porquê em alguns tópicos:

 “Se você tem entre 45 e 65 anos, preste bastante atenção no que se segue. Se você for mais novo, preste também, porque um dia vai chegar lá. E, se já passou, confira. Sempre me disseram que a vida do homem se dividia em quatro partes: infância, adolescência, maturidade e velhice. Quase correto. Esqueceu-se de nos dizer que entre a maturidade e a velhice (entre os 45 e os 65), existe a ENVELHESCÊNCIA.”

“Então é preciso preparar-se para a velhice. A nova velhice. Sim, nova, por que dizem que nós, os baby boomers, que nascemos entre 1946 e 1964, na onda  de desenvolvimento e bem-estar que, logo depois da Segunda Guerra, fez aumentarem as esperanças e os bebês do mundo, fomos adolescentes contestadores e que, por isso mesmo vamos reinventar a velhice. Não vamos, apostam os especialistas em comportamento, envelhecer ‘como nossos pais’.  Nas nossas costas, já meio doloridas, cá prá nós, o peso de construir não apenas algo ‘novo’, mas algo melhor.”

A palavra envelhescente, de fato, me  fez refletir sobre o tempo em  que me tornei  independente e  adulto perante as leis que formam o cidadão brasileiro. Quando menos  esperei, estava casado,  veio os trinta , quarenta e, passados mais alguns anos a aposentadoria. Eis um grande  problema na vida do cidadão uma vez que o governo em suas gastanças irresponsáveis, vem ao longo do tempo, dificultando a vida do aposentado com os  achatamentos dos benefícios, quer com a diminuição de vinte para dez salários, quer com a criação do famigerado  fator previdenciário, quer com aumentos não condizentes com a inflação.

Preparei-me para enfrentar, no porvir,  os novos desafios que a aposentadoria, haveria de me presentear, como envelhescente,  careca  e  de cabelos grisalhos fiquei  lotado de expectativas.

Sobre esta frase, leia o que escreveu  Mário Prata:

 “A envelhescência nada mais é que uma preparação para entrar na velhice, assim como a adolescência é uma preparação para a maturidade. Engana-se quem acha que o homem maduro fica velho de repente, assim da noite para o dia. Não. Antes, a envelhescência”.

Eis que, no momento, já passei dos sessenta e cinco e sem querer admitir, naturalmente, passei pela fase da envelhescência e quiçá,  possa curtir  o  primeiro centenário de vida, ao lados dos trinetos a  invenção de uma nova fase de vida.

 

 

 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O QUE É MELHOR, A SECA OU A ENCHENTE? - Germano


 
 
 

Estamos atravessando mais uma  época invernosa em Mata Grande.    mais ou menos quatro décadas o inverno era rigoroso com muitas chuvas, períodos onde o frio era intenso e a neblina com chuviscos não deixavam o  sol aparecer por oito ou dez dias  e, uma das vezes ,passamos dezesseis dias e noites sem o direito de ver o sol. A chuva que anunciava um bom ano já aparecia no dia 19  de março, dia do glorioso São José, então, se plantava milho para assar na fogueira do São João. O período invernoso começava em maio e prosseguia até o mês de Julho. Os agricultores tinham a certeza de uma boa safra, onde todos  colhiam e existia fartura de cereais e pastagens.

Acontece que, ultimamente, não  chove no dia de São José, tampouco,  no mês de maio e em junho as chuvas são poucas e regionalizadas dentro do nosso município. Na região serrana sempre há pancadas de chuvas tornando verde toda à vegetação. Nas outras regiões, o prenúncio de uma seca verde,  consequência do famoso EL NINO.

Às vezes fico a imaginar o quanto o nordeste é sofrido. O quanto o nosso sertão alagoano tem sido castigado.  Ao longo dos últimos quarenta anos já enfrentamos  várias secas e a que mais  afetou foi esta  última, dado a diminuição das vertentes de água, uma vez que, até os riachos perenes secaram totalmente e as cacimbas, na maioria, a água não dava si quer para saciar a sede dos animais que conseguiram sobreviver ao período de escassez das chuvas. Existem os prejuízos que estamos acostumados a suportar, todavia, com as facilidades que o progresso trouxe, a água é transportada em carros pipas e os alimentos chegam pelos mais variados meios de transporte. Ninguém é obrigado a deixar suas moradias.

Na outra extremidade do Brasil as enchentes  modificam o modo de vida dos habitantes forçando a necessidade de  abandonarem suas casas com todos os móveis e utensílios, muitas vezes adquiridos , com juros exorbitantes e prestações mensais.  São obrigados a viver em abrigos ou casas dos familiares. Recentemente, ouvi o depoimento de um morador, lamentando que havia perdido tudo da casa, somente o  cachorro se salvou.

Creio, por isto, que a seca no nordeste, não obstante os enormes prejuízos que causa, ainda se torna melhor que as enchentes do  sul e sudeste do Brasil.

sábado, 28 de junho de 2014

MATA GRANDE - PARAÍSO DAS SERRAS - Neidivan Araújo


MATA GRANDE – PARAÍSO DAS SERRAS – Neidivan  Araujo

 

Cento e oitenta e sete anos
 É a idade atual
 Já é mesmo uma velhinha
 Uma mãe especial,
 Para todos os seus filhos
 Patrimônio pessoal.

Um lugar verdejante,
 Que nos traz um bem-estar,
 Mais que uma cidade
 É um verdadeiro lar,
 Mata Grande terra amada
 De um aspecto singular.

Em mil oitocentos e trinta e sete
 Ano de sua fundação,
 No dia 18 de março
 Foi a legalização
 Quando recebeu o nome
 Sua denominação.

De uma maçarandubeira
 A árvore enorme fundou
 O nome Mata do Pau Grande
 Seu primeiro nome formou
 Mas depois de algum tempo
 Por Mata Grande ficou.

A nossa cidade surgiu
 Por causa de uma doação
 João Gonçalves Teixeira

 Homem de bom coração
 Separou uma parte de terra
 E fez sua concessão.

 Água Branca e Pão de Açúcar,
 Canapi e Inhapi,
 Tudo era Mata Grande
 Todos unidos ali
 Quando veio a divisão
 Separados foram dali.

Apesar da circunstância
 Dessa desagregação
 Mata Grande continua
 Lá no alto do sertão
 Sendo o maior território
 Do estado e região.

As suas terras férteis
 São o diferencial
 Bem em meio ao sertão
 Paisagens sem igual
 Nosso Paraíso das Serras
 É a única, excepcional!

O Clima que existe lá
 É qualidade crucial
 Não precisa muita coisa
 Pra perceber afinal
 Que nossa cidade possui
 Ar-condicionado natural.

As pessoas lá festejam
 À padroeira e a emancipação
 E jamais deixam de fora
 O carnaval e o São João
 Mata Grande Fest, em Setembro
 Pra alegria da população.

Aqui vou deixando em versos
 Um pouco da minha cidade
 Se quiserem conhecer
 Não percam a oportunidade
 Mata Grande é nosso Óasis
 Terra boa de verdade.