segunda-feira, 17 de julho de 2017

RELEMBRANDO LAMPIÃO - Germano








Virgulino Ferreira da Silva, nasceu em Serra Talhada no dia 07.07.1897 e faleceu em 28.07.1938, iniciou suas peripécias no cangaço em 1920 passando, portanto, 18 anos como chefe dos cangaceiros nordestinos, tornando-se o REI DO CANGAÇO.

Não se pode relembrar Lampião sem falar nos Coronéis sertanejos, homens que imperavam nos mais variados estados do Nordeste e Alagoas não ficava de fora, tinha os seus em Água Branca, Pão de Açúcar, Santana do Ipanema e porque não dizer Mata Grande, onde Juca Ribeiro e Zé Malta davam as ordens.

A represália na época a esses coronéis de patente,  vinham dos cangaceiros que agiam, uns para ganhar dinheiro e se esconder da polícia e outros, a exemplo de Lampião como uma forma de vingança, pois teve os seus pais assassinados por forças policiais alagoanas do então Tenente Zé Lucena, a pedido de Zé Saturnino, arqui-inimigo dos  Ferreiras. Vale frisar que os Ferreiras se mudaram  de Serra Talhada para Floresta e depois para Santa Cruz do Deserto em Mata Grande, com a finalidade de evitar as intrigas familiares, haja vista que algumas emboscadas já haviam acontecido.

Foi em Santa Cruz do Deserto, após o assassinato do seu pai que Lampião ditou a seguinte frase: “A terra que foi molhada com o sangue de um inocente,  a partir de agora vai ser ensopada com o sangue dos assassinos. Pois vou matar até morrer” (Lampião, Nem herói Nem bandido – A história. Livro de Anildomá Willans de Souza).

Com a entrada definitiva de Lampião no cangaço o sertão nordestino passou a ter o seu herói, hoje se fala nele como defensor dos pobres pois os produtos e dinheiro arrecadados, distribuía parte com os mais carentes.

Muitas vezes esteve no município de Mata Grande onde certa vez tentou invadir, mas foi rechaçado pelos policiais e população civil que se entrincheiraram colocando sacos de lã dos vapores de algodão que existiam na cidade na principal rua de acesso. Primeiro ele mandou pedir dinheiro aos comerciantes locais e por não ter sido atendido revolveu invadir. Passou na estrada do Sitio Almeida (local onde hoje resido) com o bando norteado por um corneteiro. Não contava todavia com a reação dos matagrandenses e bateu em retirada após intenso tiroteio, levando consigo um cangaceiro bastante ferido.

Outra vez, destruiu o vapor de José Florentino Vilar, tio da minha mãe, conhecido como  Zeca Beier, a pedido de um concorrente de Água Branca. Contava a minha mãe  que o bando chegou ao pátio da fazenda Buenos Ayres e eliminou a tiros mais de trezentos e vinte  animais e  ateou fogo ao vapor que queimou por mais de  oito dias, dado a quantidade de algodão estocado. O bando tencionava sequestrar a filha do fazendeiro que avisado da presença deles na redondeza saíram de casa e dormiram no mato. A minha  mãe que residia perto quando  solteira, juntamente com os familiares também dormiram  nas matas  e levaram consigo somente a máquina de costura, coisa rara  naquele  tempo. Depois deste episódio foi residir em Mata Grande, onde casou e constituiu família.

Tem uma outra história que Lampião estava na casa de um coiteiro  no sítio Faveira, zona rural do município  Mata Grande , a volante  de Alagoas  atacou  Lampião que respondeu ao ataque e ateou fogo na caatinga , uma volante pernambucana que também estava à procura do bando, ouvindo os tiros, começou a atirar do outro  lado. Lampião,  evadiu-se no meio da fumaça e as forças continuaram atirando uma contra a outra, achando que era Lampião. O resultado foi perverso, onze policiais mortos e um cangaceiro que foram enterrados em vala comum no meio da caatinga.

Em Mata Grande também, foi assassinado o comparsa de Lampião Cyrilo de Engrácia, por um sub delegado e alguns populares, entre eles o meu  tio Agripino Feitoza, que residia no Sítio Mata Escura.








O mês de julho, portanto, marca o início e o final da trajetória daquele que ficou no imaginário nordestino como  um Cabra Valente.


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