quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

CONTERRÂNEA HISTÓRICA - Germano




CONTERRÂNEA HISTÓRICA – Dona Luizinha










Luiza Villar de Mendonça, este é o nome de registro da minha mãe que nasceu no dia 10.10.10 e faleceu no dia 21.04.2000. Mamãe nasceu no  Sítio  Buenos Aires, exatamente a 107 anos, onde conviveu a sua mocidade e devido a queima  do Vapor de Algodão  do seu tio José Florentino Villar, vulgarmente conhecido como Zeca Beiêr (veja matéria no dia19/05/2011 com o título AS IGREJAS DE MATA GRANDE  Igreja do Sítio  Buenos Ayres)  teve que ir morar na cidade. Ainda muito jovem, moça muito bonita  com feições   brejeiras, logo despertou o interesse e casou com o meu pai Balbino Alves Bezerra e juntos tiveram treze filhos dos quais somente  sete permanecem vivos;  pela ordem de nascimento: Faustino, Guilherme, Hildebrando, Germano, Helena, Valderez e  Valdeci.

 Após 22 anos de plena felicidade  houve a separação de fato do casal e mamãe  passou a ser a nossa única orientadora. À custa de muitos sacrifícios e ajuda dos seus irmãos, e também do meu pai, conseguiu   educar  a todos.

Não possuía si quer o primário, todavia, tinha uma experiência  de vida, invejável a qualquer  cidadão. Dava-nos aulas, ensinamentos de bom viver, educação de bom  comportamento tanto em casa como na escola e também para a boa convivência com a sociedade matagrandense . Estes ensinamentos   ainda hoje servem para  a nossa cidadania, os quais procuramos  transmitir aos nossos descendentes.

 À guisa de informação, vou relatar um caso:

Guilherme desde 1954 foi estudar  em  Satuba, depois em Barbacena-MG., e de lá foi para São Paulo, somente reaparecendo em 1967 quando casei.

Rapaz fidalgo, educado, já com os  costumes paulistanos,  conversando com Mamãe acendeu um cigarro. Prontamente, ela parou de conversar.

Percebendo, ele  perguntou:

- É por causa do  cigarro? -  Ela  então  respondeu:

“Se Deus  tivesse criado o homem para fumar, tinha  feito  ele  com uma chaminé na cabeça”

O meu irmão jogou o cigarro fora e nunca mais acendeu um cigarro na vista dela.

Esta e outras histórias nos serviam de lição e aprendizado de vida e assim todos começaram a vida profissional, trabalhando  com esmero e dedicação o que a deixava bastante orgulhosa em ter conseguido um dos seus principais objetivos, dar também educação escolar.

Não costumava tomar remédios e tampouco refrigerantes, tinha uma saúde invejável. Todas as manhãs tomava um banho com água  fria, não se importava se fosse na época invernosa, quando os termômetros em Mata Grande  costumam beirar os doze graus.

Ao completar 80 anos  confessou:  - Meu  filho, a ladeira dos oitenta é muito pesada e justamente antes de completar os noventa faleceu, deixando uma  enorme lacuna.

Mamãe costumava dizer que nunca encontrou um  vizinho  ruim e para comprovar leia o que escreveu o poeta Walter  Medeiros, quando soube de sua partida para junto de Deus.

DONA LUIZINHA                    (Walter Medeiros)


Se eu voltar a Mata Grande,

Não verei Dona Luizinha;

Disseram que ela morreu.

Dona Luizinha, a vizinha.

Mais amiga e amável

Que esta vida nos deu.


Eu ainda a vi, velhinha,

Lembrando os belos tempos

Em que eu era vizinho seu. 

Não por mim, por minha mãe,

A sua grande amiga,

Que também está com Deus.


Ela lembrava dos dias

Que a cidade começou

E que à noite era um breu.

Em meio às pedras da serra

Onde a cidade se encerra

Onde achou água e bebeu.


Depois, um dia, fazia,

Aquele pão com manteiga

Que a gente nunca esqueceu. 

Se eu voltar a Mata Grande,

Não verei Dona Luizinha,

Nem pra lhe dizer adeus.















           

Nenhum comentário:

Postar um comentário