sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A FAMÍLIA - Germano


A FAMÍLIA  - Germano
 
Brasília-DF., 25 de dezembro de 2014.

O termo “família” é derivado do latim “famulus”, que significa “escravo doméstico”. Este termo foi criado na Roma Antiga para designar um novo grupo social que surgiu entre as tribos latinas, ao serem introduzidas à agricultura e também escravidão legalizada

A família é unidade básica da sociedade formada por indivíduos com ancestrais em comum ou ligados por laços afetivos.

Parentes
Grau
Porcentagem de sobreposição genética
Pais/Filhos
Primeiro
50%
Irmãos
Primeiro
50%
Gêmeos Idênticos
Primeiro
100%
Meio-Irmãos
Segundo
25%
Avós/Netos
Segundo
25%
Tios/Sobrinhos
Segundo
25%
Primos
Segundo
25%
Meio-Tios/Meio-Sobrinhos
Terceiro
12,5%
Bisavós/Bisnetos
Terceiro
12,5%
Trisavós/Trisnetos
Quarto
6,2%
Primos (2º Grau)
Quinto
3,1%

Fonte: Wikipedia.

 

Nesta época natalina há uma reaproximação dos integrantes da família onde as mágoas e os rescaldos são relegados a segundo plano quando não esquecidos. Já ouvi a frase de uma comadre que dizia: "A aproximação melhor é nas festas de casamento para tirar as fotos, depois, espalha". Claro que existem muitas famílias unidas, todavia, a grande maioria se encontra no estado família mosaico, integrada por filhos e enteados de uma ou mais separações, daí a convivência recheada de gostos e arrogâncias de diversos níveis com ensinamentos advindos através de madrastas ou padrastos, nem sempre favoráveis a educação dos jovens.

Copiei do facebook do professor Bruno o trecho abaixo originado do livro:

 

 
"O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo.

"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema...Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir...Mas a vida... sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.

 O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente...Já estão aí? Todos? Ótimo.

 Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.

 Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte.


As vezes o ídolo da família, o bonzinho, o bola cheia que sempre ajudou azedou a comida só porque meteu a colher. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.


Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie.

Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."

Pois é meu caro leitor, como se lê acima os temperos familiares são os mais variados possíveis que juntamente com a modernidade estão contribuindo para uma mudança radical nos usos e costumes da família brasileira. Feliz o homem que hoje em dia consegue juntar os filhos, netos, bisnetos, genros e noras em reuniões familiares onde não se registre algum tipo de desavença.

Os sadios e sábios ensinamentos bíblicos vão, paulatinamente, perdendo a sua eficácia, desvinculando a consideração entre si, dos integrantes que formam a maioria da família brasileira nos dias atuais.

Fique atento, aceite as mudanças de trilhas, no entanto, procure manter a bandeira norteada para os princípios básicos da educação, consideração, ética e costumes tradicionais.