terça-feira, 30 de dezembro de 2014

RETALHOS DO HOMEM - Joelder Pinheiro


Retalhos do homem

 

Por Seminarista Joelder Pinheiro Correia de Oliveira

 

            A vida é um mistério a ser desvendado no decorrer do tempo, entretanto, se mistério é, nem o tempo o revela, sendo assim, a vida é um conjunto de retalhos que só revelará o todo na eternidade. A vida é, no tempo, uma dança harmônica repleta de contradições e o tempo é o maestro que ritma cada passo da vida a caminhar nas curvas da existência.

            Nestas relações da vida com o tempo, o homem surge como um ser fragmentado, incompleto e desejoso de se conhecer por inteiro. Interessante a vida! Muitas coisas que fazem parte do nosso ser hoje, ontem eram impensáveis e o que seremos amanhã é tão incerto quanto a certeza de que o amanhã existirá. Sendo assim, o homem é um ser que existe no limite entre o passado que não mais existe e o futuro que poderá não existir. O homem é presente!

            O presente é o tempo dos retalhos que chamamos de identidade. A identidade que singulariza cada pessoa, nada mais é do que o conjunto de experiências adquiridas, com as quais o homem aprende e vai se modelando ou constituindo sua personalidade. De fato, o presente é o tempo do homem e de tudo aquilo que ele é.

            Se o presente é o tempo do homem, é neste tempo que ele deve mudar. Se o homem é um ser em construção, engana-se quem pensa estar pronto, ser perfeito e nunca admitir sua necessidade de melhorar. Do mesmo modo, engana-se quem reconhece precisar melhorar e decide esperar para mudar no futuro. O presente é o tempo dos acertos e erros, logo, é nele que há possibilidade de mudar. Quem muito prorroga o tempo de mudar, pode não ter tempo nem para existir no tempo!

            Quanta beleza está escondida da vida: existência, tempo, mudança, aperfeiçoamento... Beleza porque em tudo isto há relação, ou seja, somos capazes de deixar nossas marcas, pedaços de nós, e levarmos conosco pedaços, retalhos, fragmentos dos outros e/ou das realidades vividas. O homem é um ser composto de retalhos porque ainda que seja único, não se constitui sozinho, não consegue sobreviver isolado do mundo. Desde seu nascimento é um ser necessitado.

            Por fim, a maior beleza do ser consiste em juntar todos os seus retalhos para manifestar a magnitude do ser humano, mesmo sabendo que ainda não está completo. Esta manifestação ou exteriorização pode ser percebida na fé, na família, nas amizades, na sociedade e assim por diante, pois onde há pessoas, há seres desejosos de realização e onde este desejo é verdadeiro, há esperança de um mundo melhor, com pessoas melhores.

            Não esperemos o próximo ano para mudar, para buscar retalhos melhores, pois o ano só será novo se a vida for nova!

AINDA SOBRE A FAMÍLIA - Germano


 

No dia 25 de dezembro postei um artigo sobre a família, agora vejo excelentes conselhos que o Papa Francisco disponibilizou, justamente na semana dedicada a família sagrada.

Não faço nenhum comentário, pois, os achei de suma importância para a leitura e reflexão de qualquer membro de uma família.

 

 Confira:

 

"Familía:

Sete conselhos do Papa Francisco para as famílias

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014, 6h00 Modificado: terça-feira, 23 de dezembro de 2014, 13h14

 

Papa Francisco, em seus discursos e mensagens no Twitter, deixa sete conselhos para as famílias

1 – Diálogo entre mãe e filhos


O espírito de amor que reina numa família guia tanto a mãe quanto o filho nos seus diálogos, nos quais se ensina e aprende, se corrige e valoriza o que é bom.

2 – Não dormir sem se reconciliar


Não acabeis o dia sem fazer as pazes. A paz se faz, de novo, a cada dia em família. Um “desculpe-me” e assim se recomeça. “Com licença”, “obrigado” e “desculpe-me”! Podemos dizê-los juntos? Pratiquemos essas três palavras em família, perdoando-se a cada dia!

Sete conselhos do Papa Francisco para as famílias

3 – Trocai afetos entre si


“A família é o lugar onde nós recebemos o nome, é o lugar dos afetos, o espaço de intimidade onde se aprende a arte do diálogo e da comunicação interpessoal”.


4 – Visitar os santuários e locais de peregrinação


«Caminhar juntos para os santuários e participar em outras manifestações da piedade popular, levando também os filhos ou convidando outras pessoas, é em si mesmo um gesto evangelizador». Não coarctemos nem pretendamos controlar essa força missionária.

5 – Ler juntos o Evangelho


“Seria maravilhoso rezar juntos em família o terço. A oração faz com que a vida familiar torne-se ainda mais sólida.” Twitter de 6 de maio de 2013

“Uma família iluminada pelo Evangelho é uma escola de vida cristã. Nela se aprende fidelidade, paciência e sacrifício.” Twitter 10 de maio de 2014

6- Cultivar relações sadias


Conscientes de que o amor familiar enobrece tudo o que o homem faz e lhe dá um valor agregado, é importante incentivar as famílias a cultivarem relações sadias entre seus membros, como dizer uns aos outros “perdão”, obrigada”, “por favor” e dirigir-se a Deus com o belo nome de Pai.

7- Esposos cristãos, testemunhem seu matrimônio


Por um ato de amor livre e fiel, os esposos cristãos testemunham que o matrimônio, por ser sacramento, é a base onde se funda a família e faz mais sólida a união dos cônjuges e sua entrega recíproca."

 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A FAMÍLIA - Germano


A FAMÍLIA  - Germano
 
Brasília-DF., 25 de dezembro de 2014.

O termo “família” é derivado do latim “famulus”, que significa “escravo doméstico”. Este termo foi criado na Roma Antiga para designar um novo grupo social que surgiu entre as tribos latinas, ao serem introduzidas à agricultura e também escravidão legalizada

A família é unidade básica da sociedade formada por indivíduos com ancestrais em comum ou ligados por laços afetivos.

Parentes
Grau
Porcentagem de sobreposição genética
Pais/Filhos
Primeiro
50%
Irmãos
Primeiro
50%
Gêmeos Idênticos
Primeiro
100%
Meio-Irmãos
Segundo
25%
Avós/Netos
Segundo
25%
Tios/Sobrinhos
Segundo
25%
Primos
Segundo
25%
Meio-Tios/Meio-Sobrinhos
Terceiro
12,5%
Bisavós/Bisnetos
Terceiro
12,5%
Trisavós/Trisnetos
Quarto
6,2%
Primos (2º Grau)
Quinto
3,1%

Fonte: Wikipedia.

 

Nesta época natalina há uma reaproximação dos integrantes da família onde as mágoas e os rescaldos são relegados a segundo plano quando não esquecidos. Já ouvi a frase de uma comadre que dizia: "A aproximação melhor é nas festas de casamento para tirar as fotos, depois, espalha". Claro que existem muitas famílias unidas, todavia, a grande maioria se encontra no estado família mosaico, integrada por filhos e enteados de uma ou mais separações, daí a convivência recheada de gostos e arrogâncias de diversos níveis com ensinamentos advindos através de madrastas ou padrastos, nem sempre favoráveis a educação dos jovens.

Copiei do facebook do professor Bruno o trecho abaixo originado do livro:

 

 
"O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo.

"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema...Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir...Mas a vida... sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.

 O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente...Já estão aí? Todos? Ótimo.

 Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.

 Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte.


As vezes o ídolo da família, o bonzinho, o bola cheia que sempre ajudou azedou a comida só porque meteu a colher. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.


Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie.

Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."

Pois é meu caro leitor, como se lê acima os temperos familiares são os mais variados possíveis que juntamente com a modernidade estão contribuindo para uma mudança radical nos usos e costumes da família brasileira. Feliz o homem que hoje em dia consegue juntar os filhos, netos, bisnetos, genros e noras em reuniões familiares onde não se registre algum tipo de desavença.

Os sadios e sábios ensinamentos bíblicos vão, paulatinamente, perdendo a sua eficácia, desvinculando a consideração entre si, dos integrantes que formam a maioria da família brasileira nos dias atuais.

Fique atento, aceite as mudanças de trilhas, no entanto, procure manter a bandeira norteada para os princípios básicos da educação, consideração, ética e costumes tradicionais.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

PRESÍDIOS ALAGOANOS - Germano



Brasília - DF.,12/12/2014.

Com  este título a Gazeta de Alagoas do dia 12/12/2014  fez uma publicação. A restrição diz respeito ao envio de presos do interior para a Capital, devido a superlotação existente nos presídios nela construídos.

Devido a isto, veio a minha mente a tão falada restauração da  CADEIA PUBLICA DE MATA GRANDE, prédio que abrigava os presos alcoólatras por pelo menos um pernoite, criminosos apenados pela justiça bem como de outros delitos de somenos importância. O fato é que detentos do município e de outros circunvizinhos não iam engrossar o número dos que estavam encarcerados  na Capital.

No que concerne a restauração, queiram ler os artigos já amplamente divulgados neste blog. A construção do monumental prédio foi com dinheiro da realeza, no século dezenove, o uso sempre foi do Estado de Alagoas, que depois que o deteriorou, o abandonou totalmente. A prima  Márcia Machado encabeçou um movimento para a restauração, todavia, até o presente não obteve o êxito desejado. Continua a esperança de que, o novo governador que assumirá em janeiro próximo se sensibilize com a causa. Necessário se faz, recomeçar toda a movimentação anterior, incluindo o prefeito  e os vereadores, haja vista que tudo depende da força política.

Um fato interessante e digno de ser novamente citado diz respeito a recuperação dos presos. Antes quem era incriminado, permanecia na Cadeia Pública, recebendo as refeições normais de casa, bem como a consideração dos outros presos e ainda, a visita  diária dos familiares ou mesmo a  semanal dos amigos que, aos domingos, após a missa, os visitavam e levavam o apoio da amizade. Aqueles presidiários quando cumpriam a pena, retornavam ao convívio social e familiar sem nenhum tipo de mágoa e bastante felizes. Hoje ao contrário, quando retornam da  Capital , normalmente, voltam  visivelmente embrutecidos, revoltados e  alguns, se tornam malfeitores especializados em várias diretrizes contrárias as leis vigentes no País.

Daí, torna-se salutar que, OAB, o judiciário,  governo municipal e vereadores juntem-se à sociedade para  exigir a restauração das antigas cadeias públicas nos vários municípios alagoanos, isto sim, evitará a demanda de presos do interior para os presídios de Maceió.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

SEU MANOEL PISTOLA - Germano.


SEU MANOEL PISTOLA - Germano.

 Brasília (DF), 13/11/2014.

Sempre gosto de relembrar de conterrâneos que conhecemos durante a adolescência. Hoje aqui em Brasília me veio a lembrança de seu Manoel  Pistola. Como aconteceu? Você até pode perguntar. Bem, estava vendo o Bom Dia Brasil, quando apareceu uma entrevistada que achei parecida com sua neta  Edeilde. Imediatamente  pensei em Quinca Pistola, seu filho que  residia no Mandacarú e possuía um carro de bois. Já o  pai, Manoel Pistola era querido por toda a garotada matagrandense. Ele proprietário de uma "onda" (espécie de carrosel) e nos finais de ano quem arranjava uns trocadinhos , guardava para andar na onda de seu Manoel Pistola. Residia  no bairro Mandacaru onde ainda permanece alguns dos seus descendentes, todos de boa índole e queridos pela sociedade local.

Seu Mané Pistola como era conhecido também trabalhava nos engenhos de rapadura, principalmente no de seu Manoelzinho Matias que ficava localizado no Sítio Almeida, zona rural do município de Mata Grande.

Icléa, minha querida esposa, quando me ouviu falar nele me contou que...  "certo dia foi com a colega Luzanira (Luza) filha do saudoso comerciante e grande oposicionista  político Jônatas  Alencar Dores conhecido como João Nata, foram  para o engenho de seu Manoelzinho Matias e lá estava sentada na janela que ficava entre o local onde os bois rodavam  as engrenagens do engenho que  moíam as canas de açúcar e os tachos destinados ao fabrico de mel, os quais são aquecidos pela fornalha.

Inesperadamente, um boi de pontas, a arremessou para o alto e ela ia cair justamente dentro de um tacho em alto grau de temperatura. Seu Mané Pistola, que era também "mestre" na arte do fabrico do mel, largou a peneira e me segurou no ar."  Completou a história e disse: "DEVO A MINHA VIDA A ELE".

Se eu já tinha boas recordações de Seu Mané Pistola, doravante, jamais o esquecerei não somente pela onda, mais também pelo bravo gesto acima mencionado.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A CULTURA DO HOMEM OU O HOMEM DA CULTURA? - Joelder Pinheiro


A Cultura do Homem ou o Homem da Cultura?

Por Seminarista Joelder Pinheiro Correia de Oliveira

 

            Já de início, vale ressaltar que existe uma diferença basilar entre o que é natural do que é cultural. Natural é tudo aquilo que não sofreu a interferência do ser humano; é o ordenamento que rege os seres e os encadeiam num organismo cíclico vital, num ciclo tão sistemático que mesmo as espécies mais exóticas ou horripilantes tornam-se importantes. Noutras palavras, natural é a manifestação das coisas tal como são, ou seja, é o cosmo que, como diz a sua etimologia, é ordenado desde sua origem. Nesta estrutura natural está uma espécie diferenciada, que se destaca por sua racionalidade e dignidade: o homem.

            Poderíamos nos perguntar: o que é o homem? As explicações que encontraremos serão inúmeras, passando pela antropologia, filosofia, biologia, sociologia, enfim, cada área o identificará por sua ótica de pesquisa. O homem é um ser magnânimo, que tendo recebido, como dom, a racionalidade, assume o papel e a possibilidade de ser criador, inventor e construtor de sua própria história. Ele não é apenas mais uma criatura entre tantas, é um ser incrível, cheio de potencialidades. O homem traz em si a junção de tempo e eternidade, numa relação que o torna capaz de se realizar, porém, sempre desejoso de possuir algo maior; trocando em miúdos, o homem é um ser que conhece e luta para alcançar o objeto conhecido, que pode escolher e sabe que está escolhendo, num caminho ascendente e transcendente. O homem é um ser tão claro, tão estudado, tão manifesto, e, ao mesmo tempo, tão sombrio, tão oculto, tão misterioso. Estas relações um tanto paradoxais são interessantes porque, por mais que se investigue sobre o homem, sempre tem algo a ser descoberto. O homem é um ser mutável que está em constante construção!

            A produção cultural se dá nessa relação entre o homem e a natureza, isto é, a cultura é ação do homem que cria, inventa, e, para tanto, ele se utiliza da natureza ou inspira-se nela. Diria mais, a cultura é um transbordamento do homem, que, inquieto, manifesta suas alegrias e tristezas na dança, na pintura, no artesanato... Que amando ou odiando cria versos melódicos, poemas, músicas... Que pensando sistematicamente ou em devaneios inesperados escreve, projeta, arquiteta, formula... Que sendo homem, não se contenta em apenas sê-lo, mas quer se perpetuar pelos feitos heroicos e inéditos.

            A cultura é tão veemente que marca a vida de um povo, de uma região, como uma característica que torna esse povo tão peculiar, tão singular. É uma marca bela que embeleza a cotidianidade e os costumes dum povo. Neste sentido, a cultura é do homem, é objeto dele. Quando a cultura é um transbordamento do homem, gera-se uma harmonia entre a diversidade cultural. Neste sentido, a diversidade cultural demonstra o quanto o homem é rico em sua criatividade e em seu modo de ver o mundo que o cerca. Essa diversidade nunca será conflituosa, por dois motivos: pelo respeito ao próprio homem e pelo reconhecimento da capacidade criadora de outrem.

            Quando, porém, uma cultura se sobrepõe a outra, o homem, mesmo que não perceba, passa a ser objeto. Nesse conflito não é levado em conta a pessoa, mas o desenvolvimento de capacidades de um grupo cultural. Eis porque existe tanto preconceito contra a cultura nordestina, reduzindo-a a uma imagem deturpada e vazia. Eis porque a cultura norte-americana ou europeia se impõe como parâmetro determinante dos modos como as outras culturas, tidas como inferiores, devem se portar. Nessas relações, o homem não é levado em conta, ele é da cultura, é objeto dela. Em outras palavras, quando o homem torna-se objeto da cultura, cria-se uma hierarquia cultural sem sentido, gerando o desrespeito.

            É inaceitável tal postura! Será que é correto aceitar que o baião, a figura do vaqueiro, o chapéu de couro, os festejos de São João e São Pedro com suas quadrilhas, e outras tantas formas de manifestação cultural do nordeste sejam tidas como desconsideráveis ou inferiores? Não! Devemos valorizar nossa cultura, nosso jeito de ser nordestino, com o sotaque arrastado e outras tantas características, sem querer importar outras culturas à nossa somente por sem consideradas melhores. A beleza da cultura está na sua diversidade. Não há necessidade de rótulos de melhores ou piores, evoluídas ou não, pois toda construção cultural não é o resultados de competições de produção, mas o resultado da beleza de ser homem, de poder criar e ser capaz de se expressar de modo todo peculiar.

            Portanto, depois de tudo isso, cabe a pergunta: a cultura é do homem ou o homem é da cultura? Por mais que o homem sofra influências culturais, a cultura deve ser sempre um objeto do homem, pois se ele se torna objeto dela, haverá desigualdades, preconceitos e desrespeitos. Se homem se torna uma coisa, não será levado em consideração e sua dignidade não será respeitada. Somos convidados a respeitar a diversidade cultural! Quer seja nordestino ou não, brasileiro ou não, amemos nossa cultura e valorizemos as demais, construindo a unidade na diversidade e a harmonia na pluralidade.

 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

FESTANÇA EM MATA GRANDE - Zezinho de Laura


 
 
 
 
 

FESTANÇA EM MATA GRANDE-AL

 I

 SÃO JOÃO LA NA MATA

 TEM MUITA FESTANÇA

 FOGUETES E ROJÕES

 A TERRA BALANÇA

 II

 BATATA E PÉ DE MOLEQUE

 TEM FORRÓ E ARRASTA PÉ

 TEM PIPOCA E MILHO VERDE

 TEM BOMBINHA E BUSCA PÉ

 III

 TAMBÉM NÃO PODE FALTAR

 O CASAMENTO CAIPIRA

 A CANJICA E A PAMONHA

 E A FAMOSA QUADRILHA

 IV

 MILHO COZIDO E MILHO ASSADO

 BATATA VERMELHA E BRANCA

 MUITA CACHAÇA E QUENTÃO

 MULHER DE QUEBRAR A BANCA

 V

 DANÇA ANTONIO COM A FÁTIMA

 JOAQUIM DANÇA COM ANDRÉA

 JOÃO SE AGARRA COM MARIA

 O GERMANO COM A ICLE A

 VI

 SEU ZÉ MARQUES NO FOLE

 NO TRIANGULO O ABDIAS

 NO PANDEIRO O BENEDITO

 NO ZABUMBA O ZÉ MARIA

 VII

 SÃO DIAS DE MUITAS FESTAS

 SEJA SÃO PEDRO OU SÃO JOÃO

 O POVO AGRADECE A DEUS

 PELA FARTURA DE MILHO E FEIJÃO

VIII

 NÃO IMPORTA SE É ANTONIO

 SÃO JOÃO OU SÃO PEDRO

 TODO MUNDO SÓ QUER

 BRINCAR NO FOLGUEDO

 Zezinho de Laura.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mata Grande: na visão de um matagrandense - Joelder Pinheiro







Mata Grande: na visão de um matagrandense
 
Por Seminarista Joelder Pinheiro Correia de Oliveira
 
            A beleza de um lugar está muito além do que se pode ver, está tão distante dos sentidos preconceituosos quanto do juízo de quem não conhece sua história, sua cultura, seu povo. Muitas vezes, as pessoas julgam os lugares sem conhecê-los. “Tu és de onde?” – alguém pergunta. “Sou de Mata Grande” – respondo. “‘Vixe’, onde fica isso?... É no fim do mundo...”. No fim do mundo está quem se fecha em sua pobreza cultural, geográfica e histórica.
Se o sertão é o “fim do mundo”, no fim do mundo tem um grande tesouro. Tesouro que fica entre serras, guardado pelo esverdeado das campinas, coberto pelo manto azul do céu, e refrigerado por um clima agradabilíssimo que torna o dia ameno. O sertão é rico, rico pelo seu povo forte e viril, pela sua gente simples e acolhedora, capaz de sofrer sem perder a esperança, de chorar sem perder a fé. E neste sertão está Mata Grande, com seu povo e sua história, sua riqueza.
            Oh Mata Grande, como não amar tuas serras verdes e férteis? Como esquecer as águas cristalinas que jorram de tuas fontes? Como não sentir o acaloramento com que teus filhos acolhem os visitantes? Como esquecer a torre da Matriz que pode ser vista em todas as partes da cidade, como que lembrando o tempo todo que aquele povo tem fé? Como não se sentir fervoroso e contagiado pelas festas de dezembro, em honra a Nossa Senhora da Conceição, tua padroeira? Como não se rejubilar pelos vultos ilustríssimos que enaltecem a tua história e a história das terras alagoanas? Como não relembrar tua história mais que centenária?
            É verdade que muita coisa já mudou, muitos prédios antigos foram destruídos, outros estão se ruindo pelo descaso, como a antiga cadeia pública; muitas figuras ilustres que marcaram o tempo com sua existência já faleceram; outros costumes foram trocados pela tecnologia da modernidade. Mas uma coisa não pode ser mudada, esta nunca será modificada, porque nem a borracha do tempo é capaz de apagar: a tua história.
            Uma coisa é certa: quem conhece Mata Grande e toma de sua água – como se diz por lá – sempre quer retornar às suas terras!

 

 

          

sábado, 18 de outubro de 2014







SANTA CRUZ DO DESERTO –Germano

 

 

Importante e sensacional descoberta sobre  Santa Cruz do Deserto foi efetivada e publicada em seu blog  pelo escritor alagoano Etevaldo Amorim, que é alto funcionário da Secretaria da Agricultura deste Estado. No início da carreira profissional ele trabalhou em Mata Grande como extensionista  rural da antiga EMATER, daí seu apego por nossa cidade. Pelo visto, acredito que tenha estudado em Satuba ., onde existe  a escola agrícola formadora de excelentes profissionais.

A sua publicação trouxe a tona a lembrança de alguns homens que fizeram a  história recente daquele importante Distrito, entre eles, lembro do Sr. Genésio Martins, Antonio Barbosa da Silva, José Paulo,  Dedé da farmácia, José Cipriano, Antonio Cipriano e tantos outros que a memória no momento falha.

Santa Cruz do Deserto hoje já deveria ser cidade e para isto, tem grande potencial tanto na parte comercial como na agropecuária. Acredito que, com o término do asfalto, cujos serviços estão em andamento, o seu  desenvolvimento passe a ter passos galopantes.

Santa Cruz do Deserto é tão antiga quanto  Mata Grande, e isto é o que achei interessante, leia a seguir o texto publicado no  BLOG DO ETEVALDO:

 


Por Etevaldo Amorim

 

Durante o curto período em que exerci a função de Extensionista, na antiga EMATER, tive oportunidade de ministrar um curso de formação num pequeno vilarejo do município de Mata Grande: Santa Cruz do Deserto. Ali, na pequena capela, diante de um grupo de agricultores prejudicados pela seca, tentava incutir em suas mentes algo de técnico, como era do meu ofício. Lembro-me de, ao final, uma mocinha vir me entregar um papel, uma folha de caderno. Ali ela escrevera, em nome de seu pai, pobre agricultor, um relato dramático da sua situação, que era, na verdade, comum a todos.

Nas reuniões, no Escritório Regional em Santana do Ipanema, os colegas faziam chacota, achando engraçado aquele nome. Santa Cruz do Deserto... Pleno sertão, no caminho entre Mata Grande e Água Branca, antes de subir a serra. Muitas vezes passei por lá a caminho de Delmiro Gouveia, onde respondi, por menos tempo ainda, pelo Escritório Local.

Hoje, vendo um exemplar do Jornal do Penedo, edição de 25 de janeiro de 1879, encontro uma nota de alguém que se assina com o pseudônimo de “S.”, revelando como se fundou a capela daquele lugar. Como sei que muitos, talvez, não terão a oportunidade de ler, transcrevo a seguir:

 

“Lá, em um sítio solitário, quatro léguas acima da Mata Grande, Santa Cruz do Deserto é a primeira terra que se oferece aos olhos do que sobe de Terra Nova.

Quem sobe deste lugarejo, virando as costas para o sol, no fim de três léguas, a Norte de Pariconha, as eminências abaixando-se, retraindo-se, avista uma fita de terreno fértil e vicejante, assombrado de frescos arvoredos, qual é a planície abençoada da Santa Cruz do Deserto.

Em meio duma catinga esfarelada e rasa, entre serras que se arredondam, cingindo-a, o viajante pasma diante do espetáculo daquele sítio aonde se comove e exalta a cada passo.

É justamente o ponto mais vistoso deste sítio ameno e risonho que a piedade dos fiéis, muitos anos há, venerou, construindo uma capela, ou santuário, ornada de um só altar dedicado à Santa Cruz.

É célebre a história deste santuário, tão visitado pela devoção dos peregrinos, tão falado pelos seus grandes milagres.

Uma pia e velha tradição sustenta que, durante o ano de 1793, o famigerado Frei Vidal¹, que percorria a Província pregando e fazendo boas obras, descansou naquele ermo, então viçoso de ricos cedros e vistosos pereiros, cuja flor balsâmica recendia com fragrância a largo espaço.

Antes de prosseguir sua marcha, em memória da sua passagem por ali, mandou juntar duas achas de tosco e tortuoso cedro em forma de CRUZ e, benzendo-a, fincou-a no chão, ao lado esquerdo do atalho que dá para a Mata Grande.

Não muito depois do ano indicado, enfermo e desconfiado dos remédios da medicina, um rústico lembrou-se de invocar e abraçar-se com a valiosa proteção da SANTA CRUZ DO DESERTO. Sucedeu como a esperança lho prometia; porque, no mesmo instante, desapareceu o mal e voltou-lhe a saúde. Para logo o camponês fez cobrir a Santa Cruz, até então posta ao desabrigo, com uma pequena casa de oração.

Mais tarde, a primeira Família da Mata Grande, no seu tributo religioso, mandou construir ali uma Capela, que é a que ainda hoje existe.

Tal é o resumo da história do santuário, em que a reverência dos peregrinos, no ardor do seu entranhado reconhecimento, sagrou a sua memória dos grandes prodígios da SANTA CRUZ DO DESERTO, estampados nas paredes laterais e atulhados à direita e à esquerda da porta principal.

Contemplar aqueles testemunhos, tão eloquentes na sua mudez, é decerto exultar de alegria e ao mesmo tempo bendizer o símbolo sagrado da Redenção.

Ainda hoje, que tantas ruínas atestam a assolação carregada das iras celestes, que passou por cima das povoações vizinhas, ainda hoje SANTA CRUZ DO DESERTO como que só existe para nos apontar o que era e o que é: um padrão de glória.

Ontem, como hoje, no século que já lá foi, como no em que estamos, a Santa-Cruz do Deserto não foi invocada inutilmente. Esta é a razão por que, a cada passo, está sendo visitada por todas as classes e estados.

Ali o Cristo sincero exclama comovido:

—Senhor, Rei da Cruz, tenho fé; ajudai a minha fraqueza!

Ali os crentes simples de coração se consolam na doce esperança de que a suma retidão pagará as tristezas e trabalhos da vida presente com as venturas perenes, afiançadas aos justos e fiéis.

Ali os corações devotos se abrasam no incêndio do amor para com AQUELE que se sacrificou por nós nos braços dolorosos da CRUZ.

—SALVE, ó CRUZ, esperança única!

—SALVE, verdadeira árvore da liberdade!

—SALVE, manancial de salvação e de GRAÇA!

 

Baixa do Meio, 10 de dezembro de 1878.

 

S.”

¹
O nome desse frade é Vitale de Frescarolo. Andou pelos sertões do Ceará, Pernambuco e outros